sexta-feira , 26 abril 2019
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Lideranças políticas veem clima de instabilidade no governo Bolsonaro

Os desentendimentos verbais entre o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o presidente da República, Jair Bolsonaro, revelaram um clima de instabilidade na governabilidade do país.

Os dois trocaram provocações em torno da responsabilidade nos encaminhamentos da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019 da reforma da previdência.

Maia abandou a articulação após publicação de post do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), com críticas a ele. 

“Quando Bolsonaro tiver a maioria e achar que é hora de votar, me avisa”, disse o presidente da Câmara, irritado com os ataques.

Em contrapartida, Bolsonaro que estava no Chile, em visita oficial, disparou: “O que é articulação? O que está faltando eu fazer? O que foi feito no passado?”.

E prosseguiu: “Eu não seguirei o mesmo destino de ex-presidentes, pode ter certeza disso”, disse ele, dando a entender que não fará o jogo do que ele chama “a velha política”, ou seja, dar cargos aos aliados para aprovar a PEC.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) disse que enquanto pessoas como Steve Bannon, ex-estrategista da campanha de Donald Trump; e Olavo de Carvalho, guru do clã da família Bolsonaro; dominarem o “pensamento” do governo federal haverá crise e confusão. 

“São senhores da guerra e do caos, que se alimentam disso para existir, sob o pretexto de combater a velha política”, disse o governador no Twitter.

“Bolsonaro faz marketing criticando a velha política e nos bastidores o governo oferece cargos e emendas. O presidente comporta-se como na campanha, desrespeitando a todos. Ainda não entendeu a liturgia do cargo, nem como respeitar presidentes de outros poderes”, afirmou no Twitter a líder da Minoria na Câmara, Jandira Feghali (PCdoB-RJ). 

Para o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), as provocações de Bolsonaro a Rodrigo Maia revelam desprezo pelo parlamento e pela democracia. “O presidente se mostra, dia após dia, despreparado para liderar o Brasil”, afirmou.

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, diz que a nova política de Bolsonaro nada mais é do que a antipolítica. “Em vez de construir relações no Congresso e atrair parlamentares para a base do governo, o maior esforço é para escrachar publicamente a todos, aliados ou adversários”, disse ela.

FHC prevê queda 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso prevê que se continuar a instabilidade pode levar a queda de Jair Bolsonaro. 

“Paradoxo brasileiro: os partidos são fracos, o Congresso é forte. Presidente que não entende isso não governa e pode cair; maltratar quem preside a Câmara é caminho para o desastre. Precisamos de bom senso, reformas, emprego e decência. Presidente do país deve moderar não atiçar”, aconselhou.

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