terça-feira , 22 setembro 2020
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Sem diretrizes no governo, Brasil caminha para a pandemia econômica, pós-Covid-19

Ministro da Economia Paulo Guedes, não tem planos para a retomada da economia pós-pandemia

Brasil caminha para ter a maior queda do PIB desde 1900. E o mundo ruma na mesma direção. A economia global deverá perder US$ 8,5 trilhões nos próximos dois anos, na previsão da Organização das Nações Unidas. Em relatório sobre a situação econômica global, a ONU projeta uma contração de 3,2% na economia mundial, ante a alta de 2,1% esperada no começo do ano. Para o ano que vem, a expectativa é de uma recuperação de 4,1%. O Brasil, contudo, vai de cabeça ao abismo social, graças à obtusa política econômica do governo Bolsonaro.

É fato que a economia nacional já vinha trôpega, por conta da aplicação do receituário neoliberal imposto por Michel Temer em 2016 e aprofundada por Bolsonaro, a partir de 2019, tendo Paulo Guedes à frente da política econômica. Na cartilha do ‘Posto Ipiranga’, nada de investimentos públicos ou ampliação da política de bem-estar social – marcas da gestão de Lula e Dilma entre 2003 e 2016.

Um modelo que vem sendo adotado progressivamente pelos governos europeus, por exemplo, diante do impacto da pandemia nos mercados e nas sociedades. Mas a mudança do papel do Estado, que cresce como indutor da economia, capaz de proteger cidadãos e salvar vidas, empresas e empregos, soa como ameaça aos liberais da Escola de Chicago.

Nos últimos quatro anos, vigora no Brasil uma política de desmantelamento progressivo do Estado, no esforço de diminuir o papel do governo, privatizar empresas, impedir investimentos e adotar um arrocho fiscal que impede quaisquer gastos públicos. E essa receita, traduzida pela Emenda Constitucional 95, que criou o famigerado Teto dos Gastos Públicos, só tem data para acabar em 2036.

Foi por conta dessa política, traduzida em cortes na educação e na saúde, impostas nos últimos quatro anos e aprofundadas por Guedes e os ‘Chicago Boys’, que dinamitaram qualquer reação do sistema público de saúde ante à pandemia do Covid-19. Somente nos últimos anos, o SUS perdeu R$ 20 bilhões. Enquanto isso, apenas de agosto para cá, o governo torrou R$ 357 bilhões das reservas nacionais para segurar o dólar. E continua perdendo a queda de braço com o mercado.

Futuro incerto

“Sem o Estado, não haverá futuro para o país”, insiste o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que enfrentou a tormenta da crise financeira mundial em 2008 promovendo o oposto da cartilha seguida por Guedes: dinheiro na mão do povo para fazer a roda da economia girar, investimentos públicos maciços e o Estado como indutor do desenvolvimento nacional.

Agora, nem mesmo os sinais de que a parada brusca da economia brasileira em função do coronavírus mudam a concepção de Brasília sobre o papel do governo na maior crise sanitária e econômica em 12 décadas.

Temeroso, o Ministério da Economia pre­vê agora um tom­bo de 4,7% no PIB – um salto, se comparado à pre­vi­são an­te­ri­or, di­vul­ga­da em mar­ço, quando Brasília estimava que o país te­ria um cres­ci­men­to de 0,02% nes­te ano.

Um pibinho menor que o de Temer, mas longe do mergulho do abismo que o mercado prevê: 12% de queda da atividade econômica e 25 milhões de desempregados, além de metade da população economicamente ativa na informalidade. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima uma queda de 5,2%.

Nesta quinta-feira, os jornais apontam que, pela primeira vez, a equipe econômica teme uma crise social em função da onda paralisante da pandemia sobre comércio, indústria e serviços. Enquanto na Europa o Parlamento discute a injeção de mais 26 bilhões de euros para garantir renda a trabalhadores e autônomos, no Brasil nem o auxílio emergencial de R$ 600 – equivalente a € 80 – chega a todos que necessitam.

Pior. O governo já diz que a política de ajuda a empresas e pessoas deve acabar em 2020. O que indica a falta de percepção da realidade pela autista equipe econômica liderada por Guedes. A falta de gestão é a face mais visível do governo, insensível à tragédia econômica e social, capaz de reter o pagamento do seguro-quarentena a 37 milhões de pessoas e, ao mesmo tempo, repassar os R$ 600 a 73 mil militares. 

Os europeus também estão com problemas na economia, têm pela frente uma embaraçosa crise institucional porque nem todos os estados-membros concordam em colocar mais dinheiro para salvar empresas e empregos. Os governos europeus já investiram € 2 trilhões – o equivalente a R$ 12 trilhões – para salvar os negócios do colapso. Aqui, nem o afrouxamento de crédito pelo Banco Central levou o sistema financeiro a ajudar as micro e pequenas empresas, responsáveis diretamente por 70% dos empregos no Brasil.

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