terça-feira , 26 março 2019
Home / Educação e Leitura / Agroecologia nas escolas do campo: caminhos e metodologias

Agroecologia nas escolas do campo: caminhos e metodologias

Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Egídio Brunetto, na Bahia, lança caderno de Educação em Agroecologia para estimular uma nova forma de viver no campo e na cidade

A Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Egídio Brunetto (EPAAEB) nasceu no Extremo Sul do Estado da Bahia, com a estratégica política de contribuir na formação agroecológica na agricultura camponesa, em respeito ao meio ambiente. E assim, fortalecer as organizações populares envolvidas na construção da Reforma Agrária Popular. 

Nessa perspectiva em 2017, a EPAAEB lança o primeiro caderno de Educação em Agroecologia, intitulado Agroecologia na Educação: questão propositiva de conteúdo e metodologia. A produção do material iniciou-se com a sensibilidade da campanha contra o uso de agrotóxicos e transformou-se em ponto central para formação nas escolas de assentamentos e acampamentos da regional Extremo Sul. Se tornando um marco na reformulação curricular da educação do campo em 2015, por meio do setor de educação na Bahia.

Para o integrante do setor de produção do MST no Estado, Felipe Campelo, a construção da Agroecologia precisa ser entendida em sentido amplo, na apropriação e construção do conhecimento teórico, “na luta política pelo território que envolve e, na prática social, organizacional e produtiva dos assentamentos”, explica.

A iniciativa busca estimular nas escolas do campo uma nova forma de viver e conviver no campo e na cidade, respeitando o meio ambiente e incentivando a produção de alimentos saudáveis, para um novo equilíbrio social e ambiental.

O primeiro passo foi propor ao município de Alcobaça a disciplina da Agroecologia como componente da grade curricular nas escolas do campo. Em parceria com o Sindicato dos Professores foi possível mobilizar e aprovar a disciplina na Câmera de Vereadores. Este foi o primeiro município da Bahia a prever essa disciplina em sua grade curricular do ensino público municipal. 

O desafio de pensar os conhecimentos da Agroecologia na perspectiva curricular foi resultado de anos de luta do setor de educação do MST. Segundo a integrante da Coordenação Pedagógica da EPAAEB, Dionara Ribeiro, nesse caminho o foco foi zelar por uma construção coletiva. 

“Todas e todos os educadores que se engajaram nesse trabalho tiveram um papel fundamental, tanto na prática pedagógica que construíram  em  cada escola, quanto na participação, problematização e na reflexão realizada em cada curso e seminário”, argumenta Dionara.

A definição do coletivo escolar foi de que a disciplina seria trabalhada de forma interdisciplinar, o que exigiu um trabalho coletivo entre os professores, remetendo a uma reestruturação organizativa em muitas escolas para a realização do planejamento. Como resultado, logo mais um município inseriu no seu currículo a disciplina de Agroecologia, desta vez foi Santa Cruz Cabrália.

A tarefa não foi fácil, pois além de planejar como trabalhar os conteúdos agroecológicos no processo educativo, foi preciso fazer a formação continuada do corpo docente das escolas do campo no estado. Por outro lado, também é necessário avançar e implantar a disciplinar na grade curricular dos municípios que ainda não aderiram, além de dar continuidade à formação continuada dos educadores. 

Campelo comenta que a EPAAEB possui papel fundamental na participação e construção de espaços voltados ao avanço da Reforma Agrária e da Agroecologia nos assentamentos da região. “A agroecologia na escola precisar estar vinculada ao projeto de Reforma Agrária Popular pelo qual o MST trabalha”, conclui.

Escolas pioneiras

As escolas pioneiras na construção da Agroecologia na regional Extremo Sul, se encontram em processo de desenvolvimento do projeto político pedagógico de ensino, como a Escola Eloi Ferreira, no município de Alcobaça, que atende um publico da educação infantil e ao ensino fundamental II. A escola localiza-se no Assentamento 40-45.

Após as negociações com a prefeitura e o trabalho coletivo da coordenação pedagógica a escola transformou a disciplina de Agroecologia em parte do Programa de Educação Ambiental do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), denominado Desperta. 

Já a Escola Paulo Freire do município de Santa Cruz Cabrália, localizada no Assentamento Luís Inácio Lula da Silva, iniciou trabalhando a Agroecologia na disciplina de agricultura. A partir disso o corpo docente sentiu a necessidade de trabalhar a disciplina na pratica, buscando conscientizar os educandos(as) na produção agrícola, sem o uso de agrotóxicos. O trabalho  possibilitou a legalização da disciplinar de Agroecologia no ano de 2015. 

Outra escola que se inseriu nesse processo foi a Oziel Alves Pereira, no município de Itamaraju, localizada no Assentamento Bela Vista. Desde de 2008, a escola oferece em sua grade curricular a disciplina de agricultura. Entre 2013 e 2014, a disciplina foi desenvolvida em parceria com o projeto Desperta do SENAR e a partir de 2015 foi  a disciplina de Agroecologia, proposta pelo setor de educação do MST e a EPAAEB. A partir do trabalho com temas gerados e orientados pelo setor de educação do MST e a EPAAEB a disciplina avançou nas atividades práticas e construção de ações conjuntas entre várias áreas do conhecimento, se diferenciando do Projeto Desperta. 

A EPAAEB também realiza a formação de técnica, por meio do Curso Técnico em Agroecologia Pós-médio e vem construindo uma especialização para professores no campo da agroecologia.

Sobre Jornal Local

Veja também

Campanha pelo Nobel da Paz para Lula já tem 400 mil apoiadores

Iniciada pelo Partido dos Trabalhadores, a campanha para indicar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *