segunda-feira , 16 setembro 2019
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Médicos de Campinas estão entre autores de tratado inédito sobre dores do câncer

Livro dos médicos Charles Oliveira, Fabrício Dias Assis e André Mansano, é um marco na literatura científica nacional, pois é a primeira a fornecer de forma tão ampla subsídios para os profissionais que lidam com o manejo da dor do câncer.

Os médicos Charles Oliveira, Fabrício Dias Assis e André Mansano, diretores do Singular – Centro de Tratamento da Dor, em Campinas, e da Sociedade Brasileira de Medicina Intervencionista em Dor (Sobramid), estão entre os autores do livro Tratado de Dor Oncológica – Sobramid (Atheneu, 2019). A publicação é um marco na literatura científica nacional, pois é a primeira a fornecer de forma tão ampla subsídios para os profissionais que lidam com o manejo da dor do câncer.

“Os tumores malignos trazem um impacto muito grande para a vida do indivíduo. Fora o sofrimento físico — decorrente diretamente do câncer ou dos efeitos colaterais do tratamento —, há o mental, devido ao medo da morte: transtornos de ansiedade, depressão, desesperança, insônia, entre outros, são comuns“, relata Oliveira. “Tivemos o cuidado de dedicar espaço para os aspectos psicossociais, que são de suma importância para o paciente”, completa.

A expectativa é a de que a obra contribua para aumentar a atenção para o tema na comunidade médica. Ainda hoje, a dor é pouco debatida nas graduações e na residência, o que concentra a assistência em apenas alguns polos de excelência, caso do Singular – Centro de Tratamento da Dor, clínica de Campinas que já formou diversos profissionais e hoje é reconhecida não só no Brasil como em outros países. No SUS, as iniciativas são ainda mais pontuais.

O tratamento da dor no câncer é feito de acordo com o quadro do paciente. Podem ser usados medicamentos como analgésicos comuns, opioides fracos ou fortes, anti-inflamatórios, antidepressivos e anticonvulsivantes. Além disso, vêm ganhando cada vez mais espaço as chamadas técnicas intervencionistas.

“Os procedimentos são minimamente invasivos e mais eficazes promovem maior analgesia e minimizam efeitos colaterais. No que diz respeito ao câncer, inclusive, há estudos que indicam aumento da sobrevida em pacientes submetidos ao tratamento intervencionista, em vez do medicamentosa”, explica Fabrício Dias Assis.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que o Brasil terá registrado mais de um milhão de novos casos de câncer ao fim do biênio 2018/2019. No estado de São Paulo, o número deve chegar a 70.510 homens (19.220 na capital) e 70.740 mulheres (22.640 na capital) – não há dados dos municípios (https://bit.ly/2S8UDix).

·       Apenas 3% dos pacientes são tratados por especialistas em dor, segundo estudos europeus.

·       Na cidade de São Paulo, aponta o Instituto Oncoguia, a taxa é de 10%, ainda muito abaixo do ideal. Mas, no país, os especialistas estimam que a taxa não chegue a 3%, o que é alarmante.

Fatos sobre a dor no câncer

·       1,2 milhão de brasileiros devem receber diagnóstico de câncer entre 2018/2019, segundo o INCA.

·       60 a 70% dos pacientes com câncer sentem algum tipo de dor. Destes, metade tem dor de alta intensidade.          

·       A estimativa sobe para 87% em pessoas com a doença em fase avançada.

·       Os tumores malignos mais relacionados à dor são os de pâncreas, do sistema osteomuscular e do sistema nervoso central.

·       Um estudo feito em um centro de cuidados paliativos no Canadá constatou que a dor intensa aumenta em 37% a chance de o paciente ter vontade de morrer (o percentual sobe para 96% em caso de dores recentes).

·       Desde que a eutanásia foi legalizada na Holanda, 78% das solicitações foram feitas por pessoas com câncer, a grande maioria com dores.

Principais técnicas intervencionistas

·       Bloqueios anestésicos: interrompem os sinais de dor na região afetada. Pode ser feito com anestésico local e/ou anti-inflamatório, para locais bem específicas, ou com corticoides, para áreas maiores. O tempo de duração varia muito de paciente para paciente.           

·  Bloqueios neurolíticos químicos: destroem, temporariamente ou permanentemente, estruturas nervosas relacionadas à transmissão elétrica na área da dor.   

·       Radiofrequência: uma agulha acoplada a um transmissor elétrico de alta frequência (500Hz) é inserida no nervo relacionado à dor. Há três tipos:          

o   Convencional: a onda queima o nervo e impede a condução da dor.

o   Pulsada: a corrente é aplicada em pulsos, o que permite controlar a dor sem gerar calor suficiente para queimar o nervo. Especialmente indicada para dores em áreas responsáveis  pela atividade motora.        

o   Resfriada: conta com um soro na ponta da sonda para aumentar o calor produzido. Boa alternativa para nervos maiores e anatomicamente variados.

O efeito do tratamento com radiofrequência pode durar de 6 meses a 1 ano.

·       Bombas de infusão: um cateter ligado a um reservatório de analgésico computadorizado é implantado próximo à medula do paciente. O equipamento administra o medicamento automaticamente, conforme a regularidade programada. As bombas amplificam em até 300 vezes o efeito do anestésico, o que possibilita usar dosagens menores e reduzir possíveis efeitos colaterais.

·       Neuroestimulador medular:            produz ondas elétricas mais rápidas que a dor, inibindo-a. A sensação é semelhante à de um toque ou formigamento, e diminui sensivelmente o uso de medicamento. Há duas versões disponíveis:    

o   Tradicional: Compostos por eletrodo, bateria e uma extensão que une esses componentes. O eletrodo é inserido na coluna vertebral e a bateria fixada mais superficialmente, próximo ao osso ilíaco, no final da coluna — da mesma forma que é instalada a de um marcapasso.

o   Wireless: possui apenas o sistema de eletrodos. Os impulsos são emitidos por um gerador acoplado a um cinto externo, posicionado sobre uma pequena antena implantada no corpo do usuário. A bateria também é externa, que elimina os riscos associados aos materiais que seriam implantados no corpo do paciente e não impede a realização de exames de ressonância magnética. Cada conjunto vem com duas, para que uma possa ser carregada na tomada enquanto a outra está em uso.

As duas versões dispõem de controles remotos para que o usuário possa ajustar o equipamento de acordo com as necessidades.

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