terça-feira , 19 novembro 2019
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História do Casarão do século XIX

Sergio Pissolato ( memoriam ) e sua esposa Amélia Pissolato, eram donos do antigo Hotel Floresta da rua 13 de maio ainda existente na cidade de Sousas.
Naquela época o hotel não comportava tantos hóspedes, tendo então que se tomar alguma providência, Sergio Pissolato passou a alugar as casas ao redor do hotel para hospedar os clientes, o hotel estava sempre muito cheio, pois era o único da cidade e muito conhecido pela região e visitantes. Com essa situação de não conseguir hospedar a todos, Sergio e sua esposa alugaram o casarão de Antônio Carlos Couto de Barros, onde passou a ser o Hotel Floresta na rua: Lacerda, dentro da fazenda Bairro dos Lima, isso por volta de 1830, mais tarde resolveram comprá-lo e como pagamento entregaram a casa e mais R$ 50 mil réis, equivalente a R$ 50,00 reais.
O hotel era de veraneio, só funcionava nas férias, composto por nove quartos.
Amélia Pissolato, cuidava de todos os departamentos do hotel, ela possuía sete empregadas, dois cozinheiros, cuidava de toda a comida, ou seja, ela utilizava charretes para fazer compras no armazém, comprava ovos, arroz, etc; tudo para o uso do hotel.
Seus hóspedes eram de classe médio-alta, do Rio de Janeiro, Atibaia, São Paulo, entre eles advogados, médicos e outros, eram pessoas de confiança, sempre famílias, pois antes das férias eles já ligavam reservando o seu lugarzinho predileto no hotel.
Amélia ficava muito satisfeita e tentava agradá-los da melhor maneira possível e sempre sozinha, “Sergio Pissolato não gostava de trabalhar”, diz Amélia recordando.
Amélia estava sempre querendo agradar, pois também não se tinha nada para fazer no meio daquela fazenda à noite, então ela pegava um lençol da cama, colocava na parede da sala de jantar e fazia cineminha para os hóspedes, fogueiras, acompanhada de chás, pois era muito frio e naquela época eram apenas lampiões.
Ela comprou um barco pequeno em Piracicaba e colocava para os hóspedes alugarem por hora para um passeio no pequeno laguinho dentro da própria fazenda.
No café-da-manhã ela servia o leite tirado das próprias vacas que havia no pasto, junto a um pão com manteiga somente, no almoço ela servia arroz, feijão, bife, salada, sobremesa que eram doces caseiros, e frutas, a comida era feita no fogão à lenha e o jantar era a mesma refeição do almoço ou sopas, a tarde ela servia um chá com bolachas.
Sergio Pissolato tocava clarinete para os hóspedes, eles formavam uma família, pois o hotel sempre ficava cheio de amigos.
Sergio e Amélia fizeram a festa de casamento de sua filha na fazenda à frente do casarão, mataram dois bois e assaram nos espetos, para todos se servirem, muita bebida à vontade, durou até três horas da madrugada.
Eles faziam toda época de julho a festa julina, com fogueiras, barraquinhas vendendo doces como, batata-doce etc; e sempre faziam orações.
Pissolato cobrava 12 mil réis a diária, incluindo as três refeições.
O tempo foi passando e eles decidiram ir embora do casarão, onde alugaram por 250,00 mil réis para Bassir, mas como era muito pouco e não estava tendo como se sustentar, eles decidiram vender por 18 mil réis.
Amélia, aos seus 86 anos, relatou tudo com muita lembrança e emoção, pois ela diz que naquela época era muito bom de se viver, tinha muita segurança e podíamos dormir tranqüilos.
Carlos Biguete morou no casarão, bem depois de ter sido o hotel floresta, ele possuía o armazém que se encontra na frente do casarão, era conhecido como armazém da família Biguete.
Mais tarde Marcos feratelis comprou o casarão onde pouco ficou e alugou para um padre, após a sua saída, acabou se tornando um hotel, ou seja, uma pensão para pessoas doentes, que se hospedavam para fazer tratamentos, como em uma clínica, pessoas alcoólatras, viciados.
Depois de um tempo tudo foi abandonado e algumas famílias sem terra dormiam dentro do casarão.
Segundo Luiz Marostica;
Naquele tempo, Sousas e região permanecia com vinte e cinco mil habitantes, a maioria descendente de italianos, um povo bem bonito, o hotel floresta na 13 de maio estava sempre muito cheio, as pessoas gostavam de se hospedar nesse hotel.
Sousas sempre foi muito agradável, havia os bailes na região das fazendas, eles iam a pé até os bailes e ficavam até cinco horas da madrugada se divertindo, pois naquela época não havia violência, brigas, drogas, nada, eles saiam de casa e sabiam que iriam voltar com segurança, “Nos dias de hoje já não é mais assim”, diz ele emocionado.
Mariana Asta Machado

Sobre Sandra Venâncio

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2 Comentário

  1. Ainda sobre Sergio Pissolato: O conheci quando mudei para Sousas, em 1967. Já não havia o Hotel Floresta na 13 de maio, infelizmente, mas Sergio ganhava seu pão com uma pequena pensão, de uns comodos que alugava no antigo Palacio das Industrias, no largo São Sebastião, hoje restaurado e onde funciona um restaurante de massas. Sergio Pissolato tinha um conjunto musical que se chamava “Os Cometas”, de grande sucesso nas fazendas da região. O conjunto era formado pelo próprio Sergio, que tocava piston, Ditinho Tuji na bateria, Edinho no baixo, Zé Tavela na base e Valtinho na guitarra solo. Pontepretano fanático, Sergio Pissolato nunca viu seu time campeão!

  2. Apenas corrigindo a data: o Hotel Floresta, no bairro dos Lima, data de 1930 e não 1830 como foi publicado.

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