sexta-feira , 26 abril 2019
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Moçambique precisa de ajuda para evitar que tragédia continue

“Existe a demanda dos hospitais, falta material para as unidades sanitárias como luvas, desinfetantes, material cirúrgico. Isso provoca uma cadeia de necessidades”, conta morador local

Milhares de pessoas morreram e centenas de milhares estão desabrigadas no sudeste da África, após a passagem do ciclone Idai. O fenômeno foi devastador, atingiu mais de 2,8 milhões de pessoas na última semana. Todos os esforços humanitários são necessários agora para evitar que doenças se alastrem.

Osvaldo Frederico Inlamea é natural de Beira, uma das cidades mais afetadas de Moçambique, com mais de meio milhão de pessoas desabrigadas. Hoje, ele reside em Maputo, mas sua família e amigos são de Beira. Ele conversou com a RBA sobre a situação no país e quais os caminhos para a bem-vinda ajuda.

“Faço parte do grupo de pessoas afetadas pelo ciclone. Fiquei, em certo ponto, desesperado sem saber o que fazer para ajudar”, conta. “Nos primeiros dias, o principal objetivo foi evitar que pessoas morressem de fome, de sede. A vida não vai voltar ao normal de forma imediata mas, um dia de cada vez, as pessoas vencerão pequenas batalhas e retomarão suas vidas.”

A infraestrutura de Beira, com cerca de 700 mil habitantes, foi destruída em 90%. É a quarta maior cidade do país. Povoados ao redor sumiram e ainda estão totalmente submersos devido à cheia dos rios que cortam a região. “As pessoas estão assentadas sem condições ideais. Neste sentido, agora, os esforços são para garantir a prevenção de doenças e começar a reconstrução das casas. Acima de tudo, que essas pessoas possam retomar suas vidas.”

O Idai trouxe ventos de 170 quilômetros por hora e atingiu Beira na noite de quinta-feira (21). A cidade ficou sem energia, sem abastecimento de água e alimentos. As rodovias foram destruídas e interditadas. O aeroporto internacional da cidade ficou fechado por três dias. Pela primeira vez em sua história independente, de mais de 40 anos, Moçambique declarou estado de emergência.

“As crianças estão sem escola, as aulas podem ficar suspensas por quatro, ou mais semanas, até que seja garantido o mínimo. Mas essas crianças também perderam seus livros, uniformes escolares, calçados. Quase tudo, se não tudo. Elas precisam disso também”, diz Osvaldo.

Ajuda necessária

A ajuda aos atingidos começou pelos compatriotas. Muitos se voluntariaram. “Em Maputo, tivemos mutirões. Preenchemos contêineres com alimentos, agasalhos e utensílios de primeira necessidade. Localmente, estamos nos esforçando também com nossa força de trabalho, são muitos voluntários. A ajuda tem sido no sentido de garantir que não falte comida e água.”

Entretanto, como já dito, será necessário muito mais do que água e alimentos para a reconstrução mínima da vida dessas pessoas. A construção civil é um dos pontos mais problemáticos. “Mais de 70% da população perdeu o teto. Parte dos telhados ou paredes desabaram. As pessoas perderam carros, escolas e os serviços de saúde.”

Osvaldo conta que “um prego está mais raro do que qualquer outra coisa. As pessoas estão em busca disso para reconstruir seus telhados. Ainda chove por lá, embora não com tanta intensidade”.

Material hospitalar também é prioridade, já que os prejuízos no saneamento básico, o excesso de água e o acúmulo de pessoas pode provocar um segundo estágio da tragédia. “Sabe-se que já existe fornecimento de comida e água, mesmo aquém do suficiente. Mas é preciso pensar nos efeitos pós-ciclone. Doenças estão surgindo, cólera, mesmo malária. Existe a demanda dos hospitais, falta material para as unidades sanitárias como luvas, desinfetantes, material cirúrgico. Isso provoca uma cadeia de necessidades.”

Como ajudar

A ajuda chega nos locais por diferentes meios. Entidades internacionais como a Cruz Vermelha e as Nações Unidas, por meio do Unicef, concentram esforços na região. As embaixadas moçambicanas também estão recebendo doações, bem como fundações e, até mesmo, vaquinhas virtuais organizadas por grupos que possuem contato com moradores de áreas afetadas. Mesmo a família de Osvaldo, em Beira, aceita ajuda.

Entidades moçambicanas criaram uma central de apoio que recebe doações internacionais e também locais. Além de itens de primeira necessidade, trabalham para localizar desaparecidos da tragédia.

O professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira – Unilab/Brasil Carlos Subuhana, por exemplo, organizou uma “vaquinha”, que já atingiu quase 90% de seu objetivo. A Fundação Fernando Leite Couto, presidida pelo escritor Mia Couto, também trabalha nesse sentido.

Médicos sem Fronteiras, ActionAid e a Junta das Ações Mundiais também atuam para ajudar os afetados.

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