terça-feira , 16 julho 2019
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No Senado, Glenn comprova mais uma vez ilegalidades entre Moro e procuradores

Questionado sobre a autenticidades das mensagens, Grenwald esclareceu ao senador que “nas democracias, jornalistas não entregam o material de suas reportagens para a polícia” .

O depoimento do jornalista Glenn Greenwald à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado confirma integralmente as denúncias de conluio entre acusação e julgador no âmbito da Operação Lava Jato.

O editor de The Intercept Brasil falou à CCJ nesta quinta-feira (11). Foi o site noticioso dirigido por Greenwald que iniciou a divulgação das conversas entre os procuradores da Força Tarefa da Lava Jato, liderados por Deltan Dallagnol, e o ex-juiz Sergio Moro, na época responsável por julgar os processos decorrentes da operação — prática ilícita, de acordo com a legislação brasileira.

Autenticidade das denúncias

Greenwald explicou aos senadores como teve acesso às mensagens e qual o método usado para corroborar sua autenticidade. O material foi recebido de uma fonte e periciados por técnicos contratados pelo Intercept e confrontados com os fatos—muitos deles antecipados ou comentados nos diálogos travados pelo aplicativo Telegram.

Além disso, os veículos que se associaram ao site noticioso coordenado por Greenwald para divulgar o material —entre eles o maior jornal impresso do País, a Folha de S. Paulo, e a revista semanal de maior circulação, a Veja—também checaram e atestaram a autenticidade das mensagens.

Esquivas x provas

“Quando esteve aqui na CCJ, Moro se esquivou das perguntas tratando as denúncias como sensacionalismo — palavra que o ex-juiz usou nada menos que 62 vezes. Hoje eu vejo um jornalista falar sobre provas e sustentar suas falas em provas”, concluiu o senador Paulo Rocha (PT-PA), que acompanhou a audiência na CCJ.

Além de Paulo Rocha, os senadores petistas Humberto Costa (Líder, PE), Jaques Wagner (BA), Jean Paul Prates(RN) e Rogério Carvalho (SE) também participaram da audiência com o editor de  The Intercept Brasil.

Ato falho

O conluio entre o ex-juiz e os procuradores da Lava Jato foi corroborado até mesmo pelo ato falho do único senador bolsonarista que participou do debate com Greenwald. “As ações do então juiz Sergio Moro, porque a função dele era chefiar, estar à frente aos trabalhos da Lava Jato”, afirmou Robson do Val (Cidadania-ES), que também insistiu para que o jornalista entregasse o material para ser periciado por “instituições estrangeiras como a CIA ou o FBI”.

A Operação Lava Jato é uma operação policial, na qual a Polícia Federal investiga, os procuradores acusam e o juiz, no caso Moro, julga.

Grenwald esclareceu o senador que “nas democracias, jornalistas não entregam o material de suas reportagens para a polícia”.

No Twitter, líder do PT, Humberto Costa, ironizou a solicitação de Marcos do Val: “Parece piada. Justamente órgãos para os quais Moro bate continência e vive visitando às escondidas. Antes de mais nada, Moro e Dallagnol podiam entregar seus celulares à PF”, afirmou, em alusão à recusa dos ex-juiz e do procurador em permitirem a perícia em seus aparelhos.

Comportamento corrupto

Glenn Greenwald atestou, com base no material analisado pelo Intercept, que “o comportamento de Sergio Moro — não só às vezes, mas o tempo todo — era antiético. Era corrupto, corrompeu o processo judicial”. Ele revelou que ao ler as conversas entre o ex-juiz e procuradores pela primeira vez, ficou “muito chocado. Antes de se dedicar ao jornalismo, o editor de The Intercept atuou como advogado constitucionalista nos Estados Unidos, seu país natal.

O jornalista ressaltou que um processo justo exige um juiz imparcial e equidistante entre acusado e acusador. “Todas as informações que publicamos até agora e que ainda vamos publicar mostram que Sergio Moro nunca fez isso”.

Associação criminosa

“Não sou eu que digo isso. Não é o PT que diz. São os procuradores falando”, enfatizou o Greenwald, citando uma mensagem da procuradora da República Monique Checker no grupo da Lava Jato no aplicativo Telegram, já divulgada pelo Intercept, segundo a qual “Moro viola sempre o sistema acusatório e é tolerado por seus resultados”.

Para o senador Rogério Carvalho (PT-SE), o conteúdo das mensagens entre Moro e os procuradores já não deixa mais dúvidas sobre “a parcialidade, a seletividade e a associação criminosa” do ex-juiz com os acusadores.

Ação nas sombras

Glenn Greenwald chama a atenção para o fato de que nem Moro, nem Dallagnol nem qualquer outro integrante do grupo negou, até agora, o conteúdo das mensagens. O ex-juiz tem apelado para a “amnésia”, como descreveu o jornalista, alegando não se lembrar das conversas divulgadas pelo Intercept e demais veículos.

“Eles não negaram, nem vão negar em momento algum, porque sabem que é tudo verdade. Preferem atuar nas sombras para tentar quebrar a credibilidade de Glenn Greenwald e do Intercept”, avalia o senador Humberto Costa (PE).

Bomba atômica

O senador Jean Paul Prates (PT-RN) manifestou indignação com os resultados da Lava Jato na economiabrasileira. “Em 2014 (ano de início da operação), o Brasil estava bombando, com pleno emprego”, lembrou ele. “Que bomba atômica foi essa que além de combater a corrupção—o que é ótimo e salutar—demoliu a construção civil de grande porte, afetou sensivelmente a Petrobras e prejudicou seriamente a nossa economia”?

Prates ressaltou que empresas de grande porte, com atuação global, já passaram por investigações rigorosas em outros países mas não foram destruídas como a Lava Jato destruiu setores essenciais da economia brasileira. Marcas como Samsung, Volkswagen, Chevron-Texaco, Siemens e Nestlé foram investigadas por corrupção, tiveram direções destituídas e executivos presos, mas continuaram a fazer negócios e a gerar empregos.

Por PT no Senado

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