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Deputados discutem se Bolsonaro chegará até o fim do mandato?

Em Davos, na Suíça Bolsonaro e Sérgio Moro não deram entrevista a imprensa internacional

As relações da família do presidente com as milícias e as denúncias que atingem Flávio Bolsonaro, na avaliação do líder da Bancada do PT, deputado Paulo Pimenta (RS) levanta a dúvida se esse governo conseguirá chegar ao fim. Em conversa com o deputado Wadih Damous (PT-RJ) no programa Ponto a Ponto do PT na Câmara, os dois parlamentares questionaram se Bolsonaro conseguirá completar o mandato. “Caso consiga permanecer na cadeira, ficará como um ‘fantasma’ tutelado pelos militares”, conjecturaram.

Na avaliação dos deputados Damous e Pimenta, Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro(PSL-RJ), é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por transações bancárias atípicas, “não é um cara do Flávio [Bolsonaro]”. “Ele é do Jair Bolsonaro, eles são amigos de longa data, serviram juntos no Exército, a filha dele trabalhava no gabinete do Bolsonaro”, detalhou Wadih Damous.

“Essa conta que o Queiroz administra há muitos anos é uma conta da família Bolsonaro, é por isso que tem depósito para a esposa do presidente, Michelle Bolsonaro. Eu não sei se eles vão achar um jeito de escapar. Mas se seguirem na investigação, quebrar o sigilo do Queiroz, esse negócio vai chegar nele [Jair Bolsonaro]”, afirmou Paulo Pimenta.

“Se essas investigações forem a fundo, como tem que ser, Bolsonaro não escapa incólume não. E se ficar no governo vai ser um fantasma”, reforçou Damous.

Milícias do Rio de Janeiro

Damous ressaltou ainda que Queiroz tem íntima relação com as milícias. “Tanto que no gabinete do Flávio Bolsonaro, na Alerj, foram empregadas a mãe e esposa do chefe dessa principal milícia do Rio das Pedras, onde funcionava o escritório do crime, e isso é gravíssimo”, frisou. O parlamentar do PT-RJ lembrou que, conforme as investigações em curso, o chefe dessa milícia – que está foragido – é suspeito de ser o assassino da vereadora Marielle Franco. “Possivelmente o Brasil está sendo governado por uma milícia”, acrescentou Pimenta.


“Estamos vivendo tempos de barbárie. Mas a nossa esperança é a conta do motorista Queiroz”, afirmou Wadih Damous.

Bolsonaro não dá entrevista em Davos

Para o líder do PT a postura de Jair Bolsonaro em Davos, na Suíça, nesta semana foi deprimente e vergonhosa. “Depois de um discurso vazio, ele se isolou e fugiu das autoridades e da coletiva de imprensa porque não sabia o que falar. Ficou acuado e passando vergonha.”

Wadih Damous destacou que Bolsonaro não tinha preparação para ser presidente e não tinha programa de governo. “Então aconteceu esse fiasco em Davos”. Ele ainda relembrou a participação do ex-presidente Lula em Davos. “ Lula, ao contrário de Bolsonaro foi o centro das atenções, falou de improviso, conversou com o presidente Barack Obama (EUA), atendeu a imprensa nacional e internacional”. Eles citaram ainda que a ex-presidenta Dilma Rousseff foi respeitadíssima em Davos. “O Brasil, que até o governo Dilma, era respeitado internacionalmente, agora é motivo de piada, de chacota.”

Ministro da Justiça também não concede entrevista

O superministro Sérgio Moro, que participou da comitiva em Davos e também fugiu da coletiva foi pauta da conversa entre Pimenta e Damous. “Até virar ministro Moro era exemplo da família brasileira, falava de tudo. Ele e Deltan Dallagnol. Agora eles fingem que não é com eles, que as investigações de Queiroz, na Operação Furna da Onça, braço da Lava Jato do RJ, não é com eles”, ironiza Damous.

“Não é possível que as pessoas que acreditavam em Moro e Dallagnol não percebam a farsa que eles sempre foram. Não percebam o papel que eles cumpriram?”, provocou Pimenta.

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