Troca da primeira dentição: qual a idade em que os dentes de leite devem cair?

Os dentes de leite têm tempo certo para ficar na boca da criança. Aparecem por volta dos 6 meses  e começam a serem trocados aproximadamente aos 6 anos e meio 

 

Na escola, ninguém fala em outra coisa. Todos exibem janelinhas. Alguns comentam a chegada da fada do dente, que troca o dente de leite por um dinheirinho… ou um brinquedo tão sonhado. “A fase de troca dos dentes é um momento importante na vida da criança, uma prova concreta de que ela está crescendo”, afirma Celina Gavini, odontopediatra da Clínica Genesis.

E quando o dente não cai?

A fase da troca é variável de criança para criança. “Normalmente, os primeiros dentes de leite a cair são os da frente e embaixo (na mandíbula), chamados incisivos centrais inferiores. Depois, caem os mesmos superiores, num outro momento, os laterais inferiores, os superiores, os caninos inferiores, os molares inferiores, os molares superiores e, por fim, os caninos superiores. Todo esse processo é lento, acompanha o crescimento da criança até aproximadamente os 12 anos. O fator genético também é determinante. Às vezes, percebendo o histórico daquela família, verificamos que é normal as trocas ocorrerem mais tarde”, explica a odontopediatra.

Os dentes de leite têm tempo certo para ficar na boca da criança. Esse tempo é importante porque, além de permitir uma boa mastigação da criança, esses dentes preparam a arcada dentária para receber os permanentes, estimulando o crescimento ósseo das arcadas e da face como um todo.

Caso a troca da dentição esteja atrasada, algumas providências podem ser tomadas. A primeira delas é fazer uma radiografia panorâmica, que é indicada pela odontopediatra por volta dos cinco anos de idade. Com o raio X em mãos, o dentista consegue descartar inúmeros problemas. “A radiografia panorâmica revela ao dentista como está a dentição decídua (“de leite”), se a criança tem todos os dentes permanentes para trocar com os de leite, se há desvio de erupção ou algo que atrapalhe o nascimento dos dentes permanentes”, afirma Celina Gavini.

Dúvidas mais comuns…

- A criança pode ficar mexendo no dente?  

- É melhor esperar cair ou arrancar?

- E se ela engolir o dente sem perceber?

 

“A melhor resposta para estas perguntas é deixar que a troca de dentes aconteça naturalmente. Sou contra amarrar um fio e puxar o dente à força, pois a criança pode se machucar, o ato pode causar trauma aos tecidos gengivais. Não vejo mal algum em deixar a criança mexer no próprio dente, quando este está molinho,  só precisamos lembrá-la de lavar as mãos. As mães naturalmente têm o bom senso de levar a criança ao dentista quando o dente está muito mole,  doendo ou com possibilidade de serem deglutidos (engolidos). Caso isto aconteça, os pais devem tranqüilizar a criança, explicando como ele vai sair, pois o que mais assusta as crianças é imaginar o dente  ‘enroscado na barriga’”, esclarece a odontopediatra da Genesis.

 

A dentição permanente

O dente permanente merece atenção. Às vezes, a dentição permanente aparece sem que a de leite tenha caído. Nesses casos, é necessário levar a criança ao dentista para que o dente de leite seja extraído. “Se isso não for feito, o dente permanente pode nascer na posição errada e prejudicar o crescimento, o posicionamento ideal da dentição, a deglutição e a fala. Essa sobreposição vem acontecendo com freqüência nos incisivos inferiores porque a garotada prefere alimentos que exigem pouca mastigação, em vez de frutas e legumes, que são mais duros”, explica Celina Gavini.

 

Para que a criança cresça com dentes saudáveis, mastigar é preciso. Por isso, depois que o bebê sai da fase de sucção, é importante dar a ele, aos poucos, sopas menos líquidas. Este processo é progressivo, de papinhas amassadas a pedaços de frutas mais moles e legumes cozidos a pedacinhos de frutas e legumes mais resistentes, até o bifinho. Com 3 anos, as crianças já devem estar comendo tudo.

 

“Alimentos que exigem mais mastigação ajudam a desenvolver os maxilares, massageiam as gengivas e colaboram para o posicionamento correto dos dentes. Também promovem uma auto limpeza da boca, ao remover resíduos de alimentos aderidos aos dentes. Na fase da dentição mista (dentes de leite e permanentes juntos na boca), quando os dentes de leite começam a ser trocados, esses alimentos são fundamentais para o processo de reabsorção da raiz dos dentes de leite e para estimular a erupção (nascimento) dos permanentes”, afirma a odontopediatra.

Cuidado com as cáries

Balas, chocolates, pirulitos, gomas de mascar estão no topo da lista dos alimentos que mais provocam cáries, mas costumam ser os campeões na preferência infantil. “Não é preciso abolir totalmente essas guloseimas, mas é muito importante controlar o consumo destes alimentos, o horário do dia em que são ingeridos,  visando causar o menor dano possível aos dentes. No capítulo doces, o perigo está ligado à freqüência e à consistência. Quanto à freqüência, é pior comer doces várias vezes ao dia do que uma só vez.  Em relação à consistência, quanto mais ‘grudento’ o doce, pior, pois o tempo que fica aderido ao dente aumenta a chance de cáries e erosões dentárias. Já as balas duras aumentam a incidência de fraturas dentárias”, explica a odontopediatra, Celina Gavini.

Os refrigerantes, além de serem super cariogênicos, representam um perigo a mais para a saúde dos dentes: muitas dessas bebidas contêm substâncias ácidas que, com o tempo, desgastam e corroem o esmalte dos dentes. “O melhor é não criar o hábito de tomar refrigerantes, não oferecendo a bebida na mamadeira aos bebês e, para os mais crescidos, restringindo seu consumo a festas e ocasiões especiais. Existem cuidados específicos, como o tempo de espera para escovação dos dentes após a ingestão dos refrigerantes, que devem ser respeitados”, aconselha Gavini.