quinta-feira , 18 julho 2019
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Submisso a Trump, Bolsonaro apoia muro da vergonha na fronteira

Jair Bolsonaro disse que a “maioria dos imigrantes não tem boas intenções”

Jair Bolsonaro (PSL) está de joelhos nos Estados Unidos. Ele e seu ministro da EconomiaPaulo Guedes, foram para o país norte-americano para se curvar diante do presidente Donald Trump.

Enquanto o responsável pela economia anuncia que o Brasil está à venda, Bolsonaro expressou toda sua desumanidade ao tratar imigração meramente como uma questão de segurança e com isso apoiar a construção do muro da vergonha na fronteira com o México.

Em entrevista a rede conservadora estadunidense Fox News, Jair declarou: “Nós vemos com bons olhos a construção do muro”. Para Bolsonaro, “a maioria dos imigrantes não tem boas intenções”. Ele e o filho Eduardo Bolsonaro (PSL) consideram, inclusive, que brasileiros que vivem ilegalmente no exterior são “uma vergonha” para o país, conforme repercutiu a Folha de S. Paulo. Trump tenta fabricar uma crise para poder decretar emergência nacional e com isso usar verbas do Exército na construção.

E como Bolsonaro atua para favorecer os interesses de Trump, deu seu apoio ao muro. A verdade é que a visita de Jair nos EUA evidenciou de uma vez por todas que o povo brasileiro e os interesses nacionais não são a prioridade do seu desgoverno. Prova disso é que Jair dispensou a necessidade de visto para visitantes estadunidenses, mas não exigiu a mesma medida do governo dos EUA. Visitantes da Austrália, Canadá e Japão também não precisarão de visto.

Humilhação nacional

O ex-ministro das Relações Exteriores do governo LulaCelso Amorim criticou a submissão de Bolsonaro a Trump. Em entrevista nesta terça-feira (19) à Rádio Guaíba, o ex-chanceler considerou a decisão de liberar a exigência de visto, sem reciprocidade, um viralatismo. “Se você oferece tudo de graça, não é uma relação comercial. É o velho complexo de vira-lata do qual falava Nelson Rodrigues”, disse, lembrando do escritor.

Ainda segundo Amorim, “nunca o Brasil se submeteu a essa humilhação. O brasileiro é um condenado, segundo essa visão, a ser um imigrante ilegal, uma pessoa que já está clandestina; o americano é o bom, vem com dinheiro. É uma visão infantil e que não corresponde com a postura geopolítica do mundo. As relações internacionais se baseiam na reciprocidade”, disse.

“As raras exceções se tratam quando se está negociando com um país mais pobre e as condições deles são mais pobres que as nossas. No caso não é isso, é tratar o seu próprio país como de segunda categoria. É uma visão superficial e prejudicial que depõe contra a nossa própria credibilidade”, completou.

Liberação de visto aos EUA afeta arrecadação

Ao dispensar a exigência de visto aos visitantes dos EUA, Austrália, Canadá e Japão, Bolsonaro causou prejuízo de R$ 60,5 milhões por ano – em média – ao governo federal, segundo reportagem do Uol. Segundo dados do Itamaraty, o Brasil emitiu 258.437 vistos para cidadãos dos quatros países em 2018. Os estadunidenses foram a maioria com 181.242, o equivalente a 70% do valor.

A falta da reciprocidade, por sua vez, fará com que brasileiros que vão aos EUA continuem pagando a taxa de U$ 160, o que equivale a R$ 606. Ainda de acordo com o Uol, se cada brasileiro do total de 1,9 milhão que viajou ao país 2017 teve de pagar por um novo visto, terão pago o equivalente a R$ 1,15 bilhão ao governo de Donald Trump.

Da Redação da Agência PT de Notícias, com informações da Folha de S. PauloRádio Guaíba e Uol

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