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Maria Valéria Rezende vence Prêmio São Paulo de Literatura com romance Outros Cantos

Como ganhadora geral, Maria Valéria Rezende receberá R$ 200 mil

 

O Prêmio São Paulo de Literatura anunciou os melhores romancistas de 2016 em cerimônia realizada nesta segunda-feira, dia 06 de novembro, na Biblioteca Parque Villa-Lobos. Maria Valéria Rezende, paulista do município de Santos radicada em João Pessoa desde 1986, sagrou-se ganhadora na categoria Melhor Livro do Ano com a obra Outros Cantos (Editora Alfaguara), enquanto o baiano Franklin Carvalho venceu a categoria Estreantes +40 Anos com Céus e Terra (Editora Record) e o também paulista da cidade de Campinas Maurício de Almeida levou a Estreantes -40 Anos com A Instrução da Noite (Editora Rocco).

Realizado pelo Governo do Estado de São Paulo, o Prêmio São Paulo de Literatura é peça fundamental das políticas estaduais de incentivo à produção literária, sendo o maior do Brasil em premiação individual. Como ganhadora geral, Maria Valéria Rezende receberá R$ 200 mil, enquanto Franklin Carvalho e Maurício de Almeida levam R$ 100 mil cada. Como prêmio adicional, os três participarão da Feira Internacional do Livro de Guadalajara. Sobre a obra de Maria Valéria Rezende, o júri do Prêmio afirmou que “Outros Cantos enfrenta questões contemporâneas que revelam-se profundamente complexas” (veja a justificativa completa mais adiante).

Esta edição do Prêmio contou com finalistas dos seguintes estados: Bahia, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Sergipe e São Paulo. Ao todo, 201 livros participaram da competição: 98 livros na categoria principal, “melhor livro do ano”, 55 para “autor estreante – mais de 40 anos” e 48 para “autor estreante – menos de 40 anos”. A ênfase no romance é uma característica do Prêmio São Paulo de Literatura desde sua criação, em 2008, inspirado no britânico Man Booker Prize.

 

Justificativas do júri

Melhor Livro do Ano de 2016

Maria Valéria Rezende, Outros Cantos, (Editora Alfaguara)

Outros cantos enfrenta questões contemporâneas (a questão da água, os modismos televisivos, a idealização dos discursos, o consumismo, etc.) praticas simples, cotidianas, quase atemporais, que, no entanto revelam-se profundamente complexas e investidas de uma memória da vida afetiva nos desertos”.

 

Melhor Livro do Ano de 2016, autor estreante com idade de até 40 anos

Maurício de Almeida, A Instrução da Noite, (Editora Rocco)

“É o relato sem sentimentalismo da experiência de um filho procurado pelo pai que o abandonou na infância. O autor constrói uma prosa metafórica e poética. Para escapar ao egotismo, o relato na primeira pessoa é dirigido à irmã que escapou à tragédia familiar. A relação entre pai ausente e o filho, para sempre imaturo, transcende o âmbito do individual pela criação de um ambiente sombrio de chuva e ruína, dramático e envolvente. O mérito do autor é ser conciso e despretensioso”.

 

Melhor Livro do Ano de 2016, autor estreante com idade acima 40 anos

Franklin Carvalho, Céus e Terra (Editora Record)

“Relato tributário do realismo mágico, em que, por toda a vila, cresce a fama de milagreiro do menino morto, o qual, enquanto narrador, acompanha os acontecimentos locais mais ou menos folclóricos.

Afirmação de sentido telúrico da vida, na qual as forças da natureza irreversíveis se recriam e ultrapassam os eventos humanos.

Visão edificante, em que a morte encontra a sabedoria e permite uma visão da totalidade da vida”.

 

Sobre o júri final

Responsável pela definição dos três vencedores, o júri final do Prêmio São Paulo de Literatura foi composto pelos seguintes profissionais do segmento literário: Alcir Pécora, professor titular de Teoria Literária da Universidade Estadual de Campinas e membro da Accademia Ambrosiana de Milão, junto à Seção Borromaica; Alonso Alvarez, poeta, editor, autor de literatura infantil e juvenil, assessor do gabinete para o Livro e Leitura da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e criador da Livraria Artepaubrasil; Cintia Alves, mestranda em Pedagogia do teatro pela ECA/USP e Bacharel em Direção Teatral, pedagoga, pós-graduada em Jogos Cooperativos e pesquisadora de acessibilidade estética; Flavio Cafiero, dramaturgo, escritor e professor de escrita criativa; e Leyla Perrone-Moisés, professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, tendo lecionado literatura francesa na PUC-SP e na USP e ministrado cursos de teoria literária e literatura francesa, portuguesa e brasileira em várias universidades estrangeiras.

 

Sobre o Prêmio São Paulo de Literatura 2017 – 10 anos

Criado em 2008 pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura do Estado, o Prêmio São Paulo de Literatura é o maior do País em valor individual e tem como principais objetivos incentivar a produção literária de qualidade, apoiar e valorizar novos autores e editoras independentes, além de incentivar a leitura.

Desde que foi criado, o Prêmio teve participação de 2.041 livros e premiou 25 romances – já incluindo esta edição -, contribuindo de forma decisiva para dar visibilidade não só às obras vencedoras, mas também aos trabalhos finalistas.

Em 10 edições foram distribuídos R$ 4.000.000,00 em prêmios. Somam-se 191 finalistas – sendo seis estrangeiros. Os autores das obras vencedoras vêm de 17 cidades, de 10 estados brasileiros, e um de Portugal. 49 editoras foram finalistas e 10 premiadas.

 

FINALISTAS

MELHOR LIVRO DE ROMANCE DO ANO 2016

Bernardo Carvalho – Simpatia pelo demônio (Cia. das Letras)

Flávio Izhaki – Tentativas de capturar o ar (Rocco)

Javier Arancibia Contreras – Soy loco por ti, América (Cia. das Letras)

José Luiz Passos – O marechal de costas (Alfaguara)

Maria Valéria Rezende – Outros cantos (Alfaguara)

Michel Laub – O tribunal da quinta-feira (Cia. das Letras)

Miguel Sanches Neto – A bíblia do Che (Cia. das Letras)

Ricardo Lísias – A vista particular (Alfaguara)

Silviano Santiago – Machado (Cia. das Letras)

Victor Heringer – O amor dos homens avulsos (Cia. das Letras)

 

MELHOR LIVRO DO ANO DE ROMANCE – AUTOR ESTREANTE COM MAIS DE 40 ANOS

Antonio Cestaro – Arco de Virar Réu (Tordesilhas | Alaúde)

Franklin Carvalho – Céus e terra (Record)

Martha Batalha – A vida invisível de Eurídice Gusmão (Cia. das Letras)

Priscila Gontijo – Peixe Cego (7 Letras)

Tina Correia – Essa menina (Alfaguara)

 

MELHOR LIVRO DO ANO DE ROMANCE – AUTOR ESTREANTE COM MENOS DE 40 ANOS

Alexandre Marques – Entropia (Editora Record)

André Timm – Modos Inacabados de morrer (Editora Oito e Meio)

Maurício de Almeida – A instrução da noite (Editora Rocco)

Raul Ruas – Em torno dos 26 anos: Quando predominam tons tristes, vaidosos e politicamente incorretos (Editora 7 Letras)

Robson Viturino – Do outro lado do rio (Editora Nós)

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