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Falta muito pouco para o pior acontecer, diz reitor de universidada nos EUA

Decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro incentiva a criação de salas e escolas especiais para crianças com deficiências e transtornos globais do desenvolvimento, como o autismo e a superdotação. O documento é considerado discriminatório e um retrocesso nas políticas de inclusão do país. Pesquisador mostra que iniciativa pode abrir brechas para posturas ainda piores serem adotadas.

No último dia 1º de outubro, o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto que incentiva a criação de salas e escolas especiais para crianças e adolescentes com deficiências e transtornos globais do desenvolvimento, como o autismo e a superdotação, por exemplo. O documento vem na contramão das políticas de inclusão que estão adotadas no Brasil desde 2008 e abre brechas para as escolas passem a não aceitar alunos com essas características.

Pós
doutor em Educação eletrônica, psicanalista e psicopedagogo, Dr. Italu Colares
acredita que “esse decreto imoral vai contra ao trabalho de anos a fio em prol
da inserção de crianças especiais”. Além disso, ele reforça que “a inclusão
escolar se prende em acolher todas as pessoas, sem exceção, no sistema de
ensino, independentemente de cor, classe social e condições físicas e
psicológicas. O termo é associado mais comumente à inclusão educacional de
pessoas com deficiência física e mental”.

O
pesquisador reforça que “somos seres que aprendemos por meio dos nossos
sentidos: olfato, paladar, audição, fala, tato e visão. As crianças aprendem
também por meio desses sentidos. Mesmo a criança portadora de necessidades
especiais (que não possui deficiência em todos os sentidos mencionados) de uma
forma geral, aprende também dessa mesma maneira. As crianças que possuem
determinadas deficiências físicas podem aprender por meio dos demais sentidos
saudáveis que poderão ser exercitados”.

Neste
sentido, ele completa explicando que retirar uma criança portadora de
necessidades especiais de uma sala de aula com crianças variadas é um erro. “A
criança portadora de necessidades especiais irá se espelhar nas outras crianças
que também não são como ela, com o objetivo de se desafiar para que assim tenha
um melhor desenvolvimento. Ela imitando o comportamento das outras crianças
aprende a fazer aquilo que qualquer outra criança ‘normal’ aprende”, completa.

Por isso, Dr. Italu Colares, é reitor de uma universidade para brasileiros nos Estados Unidos, conta que “isso também é bastante importante para que a própria criança se sinta parte do grupo sem nenhuma discriminação quanto a sua própria condição. Isso porque essa interação também é uma inclusão social”.

Diante do cenário educacional, ele, que é pai de uma criança portadora de síndrome de Down, reforça que “deve-se manter essa criança próxima às demais para que a mesma saia da sua zona de conforto. Essa poderá ser desafiada a fazer muito mais do que faria cercada apenas de crianças portadoras de necessidades especiais. O fim da inclusão irá criar uma limitação no desenvolvimento dessa criança e um entrave na socialização da mesma”.

No
entanto, Dr.  Italu Colares alerta que tal medida presencial pode abrir
brechas para atitudes piores, que podem acontecer em breve: “Daqui a pouco
serão emitidos decretos para aprovar choques elétricos nos hospitais
psiquiátricos para mulheres que sofrem de histeria como ocorrido na Europa
castradora em que Sigmund Freud teve a ideia de criar a associação livre
abrindo as portas da psicanálise recém criada por ele mesmo.  Então,
voltemos no tempo e apliquemos ao pé da letra o Maleus Maleficarum (Martelo das
bruxas) e iniciemos mais uma ‘santa inquisição’”, lamenta.

Atualmente,
cerca de 90% dos estudantes com deficiência ou transtornos do
desenvolvimento estudam em escolas regulares no país. Além disso, o Brasil
também é signatário de convenções internacionais de direitos das pessoas
com deficiência que defendem a inclusão como benefício tanto para elas
como para criar uma sociedade mais justa e que saiba conviver com as
diferenças.

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