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O desastre Bolsonaro: 66% dos brasileiros acham que inflação subirá mais

Ao mesmo tempo, a maioria da população, cerca de 59%, relatou um expressivo aumento de gastos no dia-a-dia: 56% com gás de cozinha, 52% com arroz e feijão, 51% com água e luz e 50% com combustível, 49% com frutas e verduras e 48% com carne vermelha.

 

 

À medida que Jair Bolsonaro e Paulo Guedes destroem a confiança dos agentes econômicos em uma recuperação do país, diante do quadro de total descontrole inflacionário, dissemina-se um sentimento de desalento no povo brasileiro. Pesquisa encomendada ao Instituto FSB pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) traduz o grau de desespero que tomou conta da população, em especial da mais vulnerável, em meio à explosiva alta dos preços de itens como alimentos, gasolina, energia e demais bens essenciais ao consumo das famílias. A FSB Pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (20), ouviu 2.015 pessoas, entre 1º e 5 de abril, e considerou uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Segundo o levantamento da CNI, quase toda a população, 95%, declarou sentir os efeitos da inflação nos últimos seis meses, percentual que disparou em relação ao registrado em novembro de 2021. Naquele mês, 73% dos brasileiros queixaram-se do impacto inflacionário. Além disso, 66% dos brasileiros desconfiam da capacidade de Bolsonaro e Guedes em reverter o cenário, e acreditam que a inflação vai subir mais. Em novembro, essa expectativa era compartilhada por 54% das pessoas.

O horizonte é mesmo de desencanto. A maioria esmagadora da população, 81%, também avalia que a crise atual é tão ou mais grave do que desastres econômicos anteriores. A entidade chama a atenção, inclusive, para o pessimismo entre quem tem mais de 60 anos, pessoas que testemunharam crises econômicas como as das décadas de 80, quando o país convivia com o fantasma da hiperinflação, e 90.

A percepção de que tudo ficou mais caro, de acordo com a CNI, é geral e perpassa diferentes perfis etários, demográficos e de escolaridade. A entidade informa, no entanto, que o impacto atingiu principalmente pessoas com escolaridade mais baixa e com renda de até um salário mínimo, em sua maioria no Nordeste.

 

Queda no poder de compra das famílias

Entre as famílias com essa faixa de renda, 63% declaram  que estão sendo muito afetadas pela alta dos preços e 67% confirmam o corte no consumo de bens ou serviços.

“Com essa elevação dos preços, a gente vê uma queda no poder de compra das famílias muito significativo. A gente vê a taxa de emprego caindo, mas o rendimento real não acompanhando esse movimento”, declarou o gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, à Folha. 

“É um perde-perde, porque o consumo é o grande motor da atividade. Então não tem ganhadores nessa história, a economia toda trava”, avalia Azevedo, para quem as empresas também saem muito prejudicadas pelos cortes nos gastos com bens e serviços.

 

Prioridades

Com os sucessivos cortes na renda, as famílias viram-se obrigadas a escolher o que podem pagar com seus salários achatados pelo governo. De modo geral, enquanto 76% dos brasileiros confirmaram que a renda foi afetada pela inflação, 64% relataram ter cortado gastos com alimentos, combustíveis e bens duráveis. Dentre esses, 49% afirmaram terem feito cortes “grandes ou muito grandes”, de acordo com a entidade.

Os dados mostram que a prioridade das famílias passou a ser com itens essenciais: conta de luz, gás de cozinha, cesta básica e remédios. Enquanto isso, 34% cortaram gastos com materiais de construção, 24% abandonaram restaurantes, 23% optaram por não adquirir eletrodomésticos, 15% cortaram combustíveis e itens como roupas e sapatos e 14% eliminaram o uso de transporte público.

Ao mesmo tempo, a maioria da população, cerca de 59%, relatou um expressivo aumento de gastos no dia-a-dia: 56% com gás de cozinha, 52% com arroz e feijão, 51% com água e luz e 50% com combustível, 49% com frutas e verduras e 48% com carne vermelha.

 

Com Lula, realidade era diferente

Diferente do ministro banqueiro e seu chefe extremista, os governos do PT aumentaram o salário mínimo em mais de 74% acima da inflação entre 2004 e 2016. Para isso, instituíram um mecanismo de reposição das perdas inflacionárias no reajuste, que também levava em conta o crescimento do PIB referente ao ano anterior. Essa política foi transformada em lei no governo Dilma e foi graças a ela que houve um cenário de  previsibilidade, fortalecimento do mercado interno e de aquecimento da economia.

Quando Lula assumiu a presidência, em 2003, um salário mínimo comprava o equivalente a 1,38 cestas básicas no Brasil, em média. Em 2014, o piso salarial garantia 2,58 cestas básicas. Hoje, com Bolsonaro, ele despencou e só compra 1,57 cestas básicas.

 

Da Redação, com informações de Folha e CNI

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