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Estudo desvenda ataques comandados pelo Gabinete do Ódio de Bolsonaro

Com esse modus operandi, torna-se possível orquestrar retaliações contra veículos de imprensa ou jornalistas quando o governo Bolsonaro é criticado ou flagrado em algum de seus vários malfeitos

 

 

Levantamento recém-publicado pela organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) e pelo Instituto Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS-Rio) desvenda como surgem e se propagam nas redes sociais os ataques feitos contra a imprensa pela turba raivosa de bolsonaristas. Embora não cite o termo Gabinete do Ódio, o estudo (acesse aqui a íntegra) traz claras evidências da existência e da forma de atuação de um grupo que age na internet de forma coordenada para proteger Jair Bolsonaro e desacreditar jornalistas críticos a ele, abusando de mensagens disparadas por robôs.

As entidades partiram da análise de meio milhão de tuítes contendo ataques a jornalistas e veículos de comunicação postados ao longo de três meses, entre 14 de março e 13 de junho de 2021. A grande maioria das mensagens veio de contas que dão sustentação ao governo de Jair Bolsonaro nas redes, sendo que aproximadamente 20% delas pareciam ter origem automatizada (feitas por robôs), segundo apontou a ferramenta PegaBot, criada pelo ITS.

Após analisar os momentos em que surgem e a forma como se disseminam, os pesquisadores concluíram que ocorre no país hoje a atuação de “atores com interesses políticos, recursos financeiros e capacidade técnica mobilizados para promover um ambiente de descrédito generalizado à imprensa nas redes sociais”. Para a RSF e o ITS, tal ação constitui “uma ameaça à liberdade de expressão” no país.

 

Efeito manada

Os robôs, ressaltam as entidades, são usados como arma política para gerar um efeito de manada estimulado artificialmente. Em outras palavras, é como se o Gabinete do Ódio desse uma ordem e seus comandados passassem rapidamente a executá-la nas redes sociais.

“A utilização de contas automatizadas no levantamento realizado indica a existência de mobilizações orquestradas com o objetivo de ampliar artificialmente movimentos de ataques à imprensa no Twitter. A utilização de robôs multiplica o alcance nas redes em torno de determinados assuntos, criando uma percepção falsa de uma adesão maior do que a real sobre determinadas posições ao estimular artificialmente um efeito de manada”, explicam.

Com esse modus operandi, torna-se possível orquestrar retaliações contra veículos de imprensa ou jornalistas quando o governo Bolsonaro é criticado ou flagrado em algum de seus vários malfeitos. O dia com o maior número de postagens odiosas, por exemplo, foi 10 de maio, quando o jornal O Estado de S. Paulo publicou matéria sobre o esquema de orçamento paralelo para comprar apoio ao governo no Congresso.

 

Machismo e ameaças

Outro momento de pico ocorreu entre os dias 14 e 19 de março, quando a jornalista Mariliz Pereira Jorge foi alvo de uma onda de ofensas após a publicação de um artigo crítico ao presidente no jornal Folha de S. Paulo. Algo semelhante ocorreu com a jornalista e apresentadora Maju Coutinho e a jornalista Daniela Lima.

O machismo, aliás, é uma das características mais marcantes da rede de ódio bolsonarista. Segundo o levantamento, os alvos preferenciais foram as jornalistas mulheres, mostrando que os apoiadores repetem o comportamento machista do atual presidente, que desfere seus ataques principalmente contra as profissionais de imprensa.

“As redes sociais se tornaram um território hostil para a imprensa”, atestam a RSF e o ITS. “Os relatos sobre os ataques são cotidianos e envolvem na sua maioria agressões morais, ofensas e xingamentos, que visam desestabilizar e descredibilizar jornalistas e meios de comunicação. Em casos mais graves, mas nem por isso raros, envolvem ainda ameaças diretas, hackeamento de contas e exposição pública de dados pessoais”, descrevem as entidades.

Da Redação do PT

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