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PT vai construir programa com aliados antes de discutir vice

A deputada também desmentiu boatos de que haveria alguma tentativa do PT de influenciar em uma possível filiação de Alckmin ao PSB

 

 

Diante de várias especulações a respeito de quem poderia ser candidato a vice-presidente em uma chapa com Lula em 2022, a presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), deixou claro, nesta quinta-feira (2), que não existe hoje nenhuma discussão sobre o assunto dentro do PT. Segundo Gleisi, o mais importante é a construção de um programa a ser apresentado ao país. E todas as demais definições serão consequência desse programa.

“Não há nenhuma discussão no partido sobre candidatura a vice para Lula. Até porque nem o presidente Lula decidiu formalizar sua candidatura ainda, disse que só vai fazer isso em março”, afirmou a deputada em entrevista ao site Brasil 247. “O candidato a vice-presidente vai ser resultado do processo político e da nossa capacidade de construir essas alianças. Estamos conversando com o PSB, PCdoB, Psol, vamos conversar com outros partidos, e isso tudo tem que ser considerado numa composição de chapa”, completou.

Gleisi frisou que o aspecto mais importante do debate é a construção de um programa que coloque de novo o povo no orçamento e garanta trabalho, renda e vida digna às trabalhadoras e aos trabalhadores. “O que é importante é a centralidade programática que nós vamos ter. Não é nem tanto o nome do vice, mas o programa que vamos apresentar ao país. E isso tem que estar muito claro entre as forças que vão compor esse processo”, disse. 

“E nossa centralidade é o povo no orçamento, ou seja, nós precisamos dar emprego, dar renda, dar condições para esse povo viver. Isso pressupõe um grande programa de investimento no país, grandes programas sociais de proteção, um Estado forte. Sem Estado forte, o Brasil não sai desta crise”, acrescentou a presidenta do PT.

Gleisi lembrou que, ao longo do ano, muitos nomes surgiram como possíveis candidatos a vice de Lula e que o do ex-governador Geraldo Alckmin é apenas mais um. “O próprio Lula brinca que ele já está no 23º ou 24º vice que elencam para ele. Essa questão do Alckmin acabou gerando muito burburinho, porque sempre fomos adversários políticos, mas, como disse Lula, adversários com muito respeito.” 

Diante da escalada autoritária e da crise da democracia no Brasil, estimuladas por Jair Bolsonaro, Lula tem conversado com todos os setores, lembrou Gleisi. “Mas quero dizer que não há nenhuma conversa formal sobre isso, nenhuma conversa dos partidos sobre isso nem tampouco Lula tratou desse assunto. O fato de ele conversar com o Alckmin não foi para tratar de ele ser vice.”

A deputada também desmentiu boatos de que haveria alguma tentativa do PT de influenciar em uma possível filiação de Alckmin ao PSB. “Outra coisa que é importante dizer é que não há nenhum condicionamento do PT ao PSB, para filiar Alckmin ao PSB ou pedindo Alckmin de vice. Não há. O PT não está pedindo isso, nunca pediu isso, nem Lula pediu isso. É importante que fique claro. Se Alckmin se filiar ao PSB, vai ser uma decisão dele e do PSB”, frisou.

 

Eleições 2022

Sobre as eleições de 2022, Gleisi disse prever uma disputa muito difícil devido ao uso do ódio e da mentira por parte da extrema-direita, que apela a esses instrumentos por não ter um projeto de país.

“O debate sobre propostas, sobre projetos de país, saiu. Você pode ver que Bolsonaro não tem projeto de país, Moro não tem projeto de país. O que eles dizem sobre projeto de país? Eles não têm. Têm uma carga de ódio, de mentira, que eles ficam o tempo inteiro destilando para tentar influenciar as pessoas, com participação de parte da mídia e da elite. Vai ser uma eleição muito dura, muito pesada”, analisou. 

Por isso, na avaliação de Gleisi, será preciso construir alianças sólidas, comprometidas com o programa em construção pelo PT. “Tudo que pudermos aglutinar contra essa forma de fazer política, esse autoritarismo, o ódio e a mentira e a desconstrução do país, nós temos que fazer”, defendeu.

Nesse sentido, uma possibilidade, ainda em estudo, seria a formação de uma federação de partidos, frente que agrega legendas por meio de um programa mínimo e de um estatuto para a atuação unificada e nacional por quatro anos.

“A federação, além de uma unidade programática, pode potencializar a eleição de uma bancada maior do nosso campo no Congresso Nacional, o que nos ajudaria muito nas negociações e na atuação do Parlamento”, avaliou Gleisi.

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