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Mário Gatti realiza, pela 1ª vez, cirurgia de revascularização cerebral

Foi um procedimento extremamente delicado para tratar uma doença rara, afirma o neurocirurgião Bruno Bogéa, da equipe de neurocirurgia chefiada por Yvens Barbosa Fernandes.

 

 

O Hospital Municipal Mário Gatti realizou, pela primeira vez, uma cirurgia de revascularização cerebral com a construção de uma ponte direta de uma artéria localizada fora do cérebro para uma interna. O paciente teve um acidente vascular cerebral (AVC) em consequência de uma síndrome rara conhecida como Moya-Moya.

Essa síndrome é caracterizada por uma estenose (estreitamento) das artérias cerebrais internas mais importantes, responsáveis pela condução do sangue ao cérebro. Ela pode levar a eventos isquêmicos ou de sangramento em sistema nervoso central. O termo Moya-Moya vem do japonês e significa algo nebuloso, como cortina de fumaça, devido à aparência do emaranhado de pequenos vasos que se forma para compensar o bloqueio dos vasos normais cerebrais.

Foi um procedimento extremamente delicado para tratar uma doença rara, afirma o neurocirurgião Bruno Bogéa, da equipe de neurocirurgia chefiada por Yvens Barbosa Fernandes. No Japão, a incidência de Moya-Moya é de um caso a cada 280 mil habitantes e nos EUA, de um a cada 1,1 milhão. Não há dados para o Brasil.

O paciente, um jovem adulto, apresentou um acidente vascular cerebral isquêmico e, durante a investigação, a angiografia demonstrou que o lado esquerdo do cérebro estava recebendo pouco sangue em função de estenoses nos vasos do polígono de Willis, o círculo de artérias que suprem o cérebro, com um padrão compatível com a doença de Moya-Moya.

Após tratamento clínico, explica Bogéa, a equipe optou por um tratamento cirúrgico complementar, por meio de bypass cerebral. “Nesse procedimento, um ramo arterial extracraniano (artéria temporal superficial) foi conectado a um ramo arterial intracraniano no lado do cérebro que estava recebendo pouco sangue, para aumentar o aporte sanguíneo na área afetada”, informa.

Nessa síndrome rara, afirma o anestesiologista Nelson Davi Bolzani, é necessário entender a fisiopatologia da doença e instituir as medidas perioperatórias mais adequadas, no intuito de melhorar o prognóstico destes pacientes. “A conduta anestésica deve priorizar a manutenção do fluxo sanguíneo cerebral, para evitar novos eventos neurológicos negativos, lançando mão de tecnologias para monitorização e uso de medicações anestésicas novas que proporcionam melhor estabilidade hemodinâmica no paciente”, disse

 

Equipe

O procedimento envolveu uma equipe formada por Bogéa, Bolzani, o neurocirurgião José Luiz Rinaldi, a neuroanestesista Rubia de Deus, o intensivista Marcus Vinicius Pereira, além de neurocirurgiões da equipe. A cirurgia, realizada em 20 de agosto, foi bem-sucedida e o paciente recebeu alta após uma semana.

“Este procedimento só foi possível pelo trabalho em equipe, pelo comprometimento de toda a gestão da Rede Mário Gatti, de todos os profissionais da saúde que atuaram de forma multidisciplinar e assertiva no cuidado extremamente delicado desse caso, do começo ao fim” afirma Bogéa.

 

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