Sinal de abertura ocorre enquanto EUA ampliam operação militar e Caracas fala em risco de intervenção
Por Sandra Venancio
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (16) que está disposto a conversar com Nicolás Maduro, abrindo espaço para um possível diálogo em um dos momentos mais tensos entre Washington e Caracas nos últimos meses. A declaração foi dada no aeroporto internacional de Palm Beach, na Flórida, onde o republicano disse acreditar que a Venezuela “gostaria de dialogar”.
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“Poderíamos ter algumas discussões com Maduro e ver o que acontece. Eles gostariam de conversar. O que isso significa? Você me diz, eu não sei… Eu conversaria com qualquer um”, afirmou Trump a jornalistas.

A sinalização surge em um contexto de forte escalada militar. O governo americano expandiu sua presença no Caribe sob o argumento de combater o que chama de “narcoterrorismo”, enquanto Caracas acusa Washington de promover uma estratégia de pressão para remover Maduro do poder. Na última sexta-feira (14), Trump afirmou já ter “tomado uma decisão sobre a Venezuela”, sem revelar detalhes — declaração que ampliou especulações sobre uma possível ação direta.
Relatórios da emissora CBS indicam que, além do envio de porta-aviões, os EUA deslocaram aeronaves de transporte de tropas e carga para reforçar operações na região. A nova ofensiva, batizada de Lança do Sul (Southern Spear), envolve o Comando Sul e unidades especializadas em combate a redes de tráfico internacional. Neste domingo, militares americanos realizaram o 21º ataque contra embarcações suspeitas no leste do Pacífico e no Caribe, que resultou na morte de três homens.
Enquanto a pressão aumenta, Maduro tenta demonstrar disposição ao diálogo. Em comício no estado de Miranda, neste sábado (15), o presidente venezuelano surpreendeu aliados ao cantar trechos de “Imagine”, de John Lennon, enquanto fazia um apelo público por paz entre os dois países. “É o momento de acreditar na convivência e na esperança”, disse, sob aplausos.
O gesto ocorreu horas depois de Washington reforçar críticas ao governo venezuelano, acusando Maduro de liderar redes de narcotráfico, acusações que o chavismo nega veementemente. A tensão cresceu ainda mais após Trinidad e Tobago anunciar exercícios militares conjuntos com tropas dos EUA, o que Caracas classificou como “provocação”.
Em resposta, a Venezuela iniciou uma mobilização militar nacional e acusou os Estados Unidos de “fabricar uma guerra” para justificar um ataque e derrubar Maduro. Rumores sobre uma possível intervenção terrestre ganharam força após Trump, em entrevista recente à CBS, evitar esclarecer seus próximos passos: “Não vou dizer o que vou fazer com a Venezuela.”
Com as duas nações endurecendo posições e o tom diplomático oscilando entre ameaça e aceno, o futuro das relações entre Estados Unidos e Venezuela permanece incerto — e mais imprevisível do que nunca.




