Diretório paulista alega dupla filiação e cancela registro do deputado na Justiça Eleitoral
A executiva estadual do Cidadania em São Paulo oficializou, nesta quarta-feira (5), a expulsão sumária do deputado estadual Rafael Zimbaldi de seus quadros partidários. A decisão foi formalizada por meio do Ato nº 01/2025, assinado pelo presidente estadual da legenda, deputado federal Alex Manente, e tem como fundamento a constatação de que Zimbaldi mantém vínculo político e partidário com o União Brasil.
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Segundo o documento, Zimbaldi estaria filiado “de fato e de direito” ao União Brasil, partido no qual ocupa a presidência da executiva municipal provisória de Campinas desde novembro do ano passado. A direção estadual do Cidadania sustenta que a situação configura dupla filiação, prática vedada pelo estatuto partidário e pela legislação eleitoral.

O ato cita o artigo 9º, inciso II, alínea “d”, do estatuto do Cidadania, que determina o cancelamento automático da filiação quando comprovado vínculo com outra legenda. Também são mencionadas normas eleitorais e decisões consolidadas do Tribunal Superior Eleitoral que consideram juridicamente impossível a manutenção simultânea de filiação partidária.
A executiva estadual afirma que a condição de Zimbaldi no União Brasil é um fato público e notório, amplamente divulgado e respaldado por registros oficiais do próprio partido. Com base nisso, o Cidadania decidiu não instaurar processo disciplinar, alegando que se trata de um fato objetivo e incontroverso, que dispensa apuração interna.
A decisão determina o cancelamento imediato da filiação de Zimbaldi no sistema FILIA, da Justiça Eleitoral, e o envio de comunicação formal ao Tribunal Regional Eleitoral, ao Diretório Nacional do Cidadania, ao Diretório Municipal de Campinas e à Assembleia Legislativa de São Paulo. A medida tem como objetivo atualizar a representação partidária da sigla na Alesp, onde o parlamentar exerce mandato.
A Secretaria Executiva Estadual foi orientada a reunir documentos e reportagens que comprovem a atuação política de Zimbaldi no União Brasil, reforçando o embasamento administrativo e jurídico da decisão.
A expulsão ocorre em meio ao processo de reestruturação do Cidadania em Campinas, iniciado após a destituição do antigo diretório municipal, também determinada pela presidência estadual do partido. O movimento sinaliza uma tentativa da legenda de reorganizar sua base local e retomar o controle político da sigla no município.
A saída forçada de Rafael Zimbaldi expõe a disputa por controle partidário em Campinas e evidencia o endurecimento do Cidadania diante de alianças consideradas irregulares. O caso pode ter desdobramentos eleitorais e jurídicos, sobretudo no que diz respeito à manutenção do mandato e ao reposicionamento político do deputado no cenário estadual.




