Transição logística afeta distribuição de medicamentos básicos na rede municipal
A mudança do almoxarifado central da Secretaria de Saúde de Campinas tem provocado a falta temporária de medicamentos em unidades básicas de saúde espalhadas pela cidade. Remédios usados no tratamento de dor, febre, hipertensão e diabetes estão entre os itens que apresentam indisponibilidade em parte da rede municipal, justamente em um período de alta demanda por atendimentos.
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A transição do antigo para o novo centro de distribuição é apontada como a principal causa do problema. A operação, considerada complexa pela administração, envolve transferência física de estoques, reorganização logística e adaptação a novos sistemas de controle. Durante esse processo, faltas pontuais passaram a ser registradas em diversos postos de saúde, obrigando pacientes a buscar atendimento e medicamentos em outras unidades.

Como medida emergencial, foi colocado em prática um plano de contingência que inclui remanejamento de medicamentos entre os centros de saúde, reforço da frota de transporte e ampliação das equipes responsáveis pela distribuição. Uma força-tarefa também foi programada para o fim de semana, com o objetivo de normalizar o abastecimento nos seis distritos de saúde, que devem receber reposições entre os dias 19 e 23.
Levantamento feito na plataforma municipal de consulta de medicamentos aponta que a dipirona de 500 mg, analgésico e antitérmico amplamente utilizado, está em falta em 18 das 66 unidades de saúde da cidade. A situação é ainda mais crítica em relação à losartana 50 mg, medicamento essencial para o controle da hipertensão, e à caneta de insulina, utilizada por pacientes com diabetes, disponível em apenas duas unidades no momento do levantamento.
A Secretaria de Saúde afirma que a nova estrutura do almoxarifado, localizada na Vila San Martin, possui 3,3 mil metros quadrados e foi planejada para modernizar a gestão de estoques e a logística de distribuição. A transição teve início em dezembro e pode se estender por pelo menos 60 dias, com trabalhos realizados em turnos para acelerar o processo.
A operação do novo almoxarifado foi repassada a uma empresa contratada por meio de licitação. O contrato prevê a implantação de sistemas informatizados, adequação do armazenamento às normas sanitárias, capacitação das equipes e reorganização completa do transporte de medicamentos. A promessa é de que, após a conclusão da mudança, a rede passe a operar com maior eficiência e controle, reduzindo riscos de desabastecimento.
Falta de medicamentos
Dados da própria rede municipal indicam que itens básicos como dipirona, losartana e insulina apresentaram escassez em parte significativa das unidades de saúde durante a mudança do almoxarifado. A situação expõe a dependência do sistema público de uma logística centralizada e levanta questionamentos sobre o planejamento da transição e os impactos diretos sobre pacientes com doenças crônicas.




