Indústria terá acesso ampliado ao mercado europeu com abertura imediata de tarifas
Mais de cinco mil produtos brasileiros terão imposto de importação zerado na União Europeia assim que entrar em vigor o acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu. O dado consta de levantamento da Confederação Nacional da Indústria e dimensiona o impacto imediato do tratado sobre as exportações nacionais, especialmente do setor industrial.
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Segundo a entidade, 54,3% dos produtos negociados no acordo terão tarifa zero na União Europeia já na entrada em vigor do tratado. Do lado do Mercosul, o processo será mais gradual. O Brasil contará com prazos estendidos, entre 10 e 15 anos, para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos negociados, cerca de 4,4 mil itens, mecanismo desenhado para permitir adaptação produtiva e tecnológica da indústria nacional.

A União Europeia ocupa posição estratégica no comércio exterior brasileiro. Em 2024, o bloco foi destino de US$ 48,2 bilhões em exportações, o equivalente a 14,3% do total vendido pelo país ao exterior, consolidando-se como o segundo principal mercado externo do Brasil. No mesmo período, respondeu por US$ 47,2 bilhões em importações brasileiras, representando 17,9% do total, com forte predominância de bens industriais.
O acordo, negociado desde 1999 e marcado por longos períodos de impasse político e técnico, prevê a redução ou eliminação de tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral. A implementação será escalonada, com prazos diferenciados para setores considerados sensíveis, tanto no Mercosul quanto na União Europeia, o que explica o cronograma mais longo adotado pelo Brasil.
O levantamento da CNI aponta que os acordos comerciais atualmente em vigor com participação brasileira cobrem cerca de 8% das importações mundiais de bens. Com a entrada em vigor do tratado com a União Europeia, esse percentual deve saltar para 36%, considerando que o bloco europeu respondeu por 28% do comércio global em 2024. O movimento reposiciona o Brasil em cadeias globais de valor mais amplas e diversificadas.
Os dados também evidenciam o peso da indústria na relação bilateral. Quase metade das exportações brasileiras para a União Europeia corresponde a bens industriais. No fluxo de importações, os insumos e produtos industriais dominam amplamente, reforçando a interdependência entre as economias e o papel do acordo como vetor de modernização produtiva.
A expectativa é de que os efeitos econômicos não sejam imediatos nem uniformes, mas ocorram de forma progressiva à medida que o tratado for ratificado e suas etapas implementadas. Para o setor industrial, o acordo combina maior acesso a mercados, pressão competitiva e necessidade de ganhos de produtividade, num cenário que tende a redefinir estratégias empresariais e políticas industriais nos próximos anos.




