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segunda-feira, janeiro 26, 2026
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França pede exercício da OTAN na Groelândia e eleva confronto com Trump

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Pedido formal expõe fissura na aliança atlântica e revela disputa estratégica pelo controle do Ártico

A França solicitou oficialmente à Organização do Tratado do Atlântico Norte a realização de um exercício militar na Groenlândia e declarou estar pronta para contribuir com a operação. A confirmação foi feita pelo Palácio do Eliseu nesta quarta-feira (21) e ocorre em meio à escalada das tensões diplomáticas provocadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vem reiterando a intenção de assumir o controle do território autônomo da Dinamarca.

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O pedido francês surge após uma sequência de declarações e ações do governo norte-americano que colocaram a Groenlândia no centro do debate geopolítico internacional. Trump tem classificado a ilha como “vital” para a segurança dos Estados Unidos e da própria OTAN diante do avanço da Rússia e da China no Ártico, e afirmou publicamente que o plano de anexação “não tem volta”.

Durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, Emmanuel Macron adotou um discurso duro, sem citar Trump nominalmente. Foto Reprodução X

Segundo autoridades francesas, um exercício formal da OTAN permitiria envolver diretamente os Estados Unidos, reduzir tensões internas na aliança e sinalizar que a segurança no Ártico é uma prioridade compartilhada pelos países europeus. O movimento também busca reafirmar que decisões sobre soberania territorial não podem ser impostas de forma unilateral.

Durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, Emmanuel Macron adotou um discurso duro, sem citar Trump nominalmente. O presidente francês criticou a “lei do mais forte”, rejeitou a “brutalidade” nas relações internacionais e defendeu o respeito ao Estado de direito. Alertou ainda para o risco de aventuras unilaterais e classificou o momento como de fragilização da OTAN diante das tensões transatlânticas.

Antes do pedido formal francês, França, Alemanha e Reino Unido já haviam enviado tropas à Groenlândia para missões de reconhecimento, em preparação para um exercício organizado pela Dinamarca com aliados, fora do quadro oficial da OTAN e sem a participação dos Estados Unidos. A iniciativa provocou reação imediata de Trump, que ameaçou impor tarifas de até 25% contra os países envolvidos.

ÁRTICO, PODER MILITAR E PRESSÃO ECONÔMICA

A ofensiva diplomática não se limita ao campo militar. Trump ampliou o confronto ao divulgar comunicações privadas de líderes mundiais, incluindo mensagens atribuídas a Emmanuel Macron e ao secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, gesto interpretado por diplomatas europeus como provocação direta. O presidente dos EUA também utilizou redes sociais para divulgar montagens visuais com bandeiras norte-americanas fincadas na Groenlândia e mapas que sugerem expansão territorial dos Estados Unidos.

Paralelamente, a pressão econômica entrou em cena. Trump ameaçou impor tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses, condicionando a suspensão da medida à adesão da França a uma iniciativa internacional sobre Gaza que reduz o papel das Nações Unidas. Macron respondeu afirmando que a União Europeia dispõe de instrumentos comerciais robustos e que eles devem ser acionados quando as regras do jogo não são respeitadas.

O episódio evidencia uma combinação de estratégia militar, pressão econômica e comunicação agressiva que vem isolando Washington de aliados históricos. Ao pedir um exercício formal da OTAN na Groenlândia, a França tenta reposicionar o debate dentro das estruturas multilaterais e conter uma escalada que ameaça redesenhar o equilíbrio de poder no Ártico e aprofundar o desgaste político entre Estados Unidos e Europa.

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