Saídas para disputar eleições redesenham poder no Planalto e colocam governabilidade à prova em pleno ano pré-eleitoral
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode enfrentar uma das maiores reconfigurações ministeriais desde o início do mandato. A possibilidade de cerca de 20 ministros deixarem seus cargos para disputar as eleições de 2026 ameaça esvaziar áreas estratégicas da Esplanada justamente no momento em que o Planalto precisa sustentar entregas, articulação política e alianças regionais. O movimento é visto como parte da estratégia para ampliar a presença do projeto governista nos estados, mas impõe riscos elevados à coordenação do Executivo.
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Pela legislação eleitoral, a desincompatibilização deve ocorrer até abril, o que antecipa um período de trocas em série, rearranjos partidários e disputas internas. O calendário encurta decisões e transforma cada substituição em um recado político ao Congresso e às bases locais.

Entre as mudanças mais sensíveis está a possível saída de Gleisi Hoffmann da Secretaria de Relações Institucionais para disputar o Senado pelo Paraná. A pasta concentra a articulação com bancadas e lideranças e é considerada peça-chave para a sustentação do governo. A troca pode abrir um vácuo justamente quando votações se tornam mais contaminadas pelo clima eleitoral.
A Casa Civil também entra no radar. Rui Costa é citado como possível candidato ao Senado ou ao governo da Bahia. A eventual saída do ministro, responsável por organizar prioridades e fluxos internos, tende a provocar impacto direto na coordenação das políticas públicas.
Na comunicação, o cenário aponta para a saída de Sidônio Palmeira para comandar a campanha presidencial, repetindo o papel exercido em 2022, mas agora em um ambiente político mais fragmentado e sob pressão permanente de crises e disputas narrativas.
Algumas permanências são vistas como tentativa de reduzir danos. Guilherme Boulos deve permanecer na Secretaria-Geral, garantindo continuidade na relação com movimentos sociais, mas a manutenção pontual não neutraliza o impacto de uma debandada mais ampla.
Custo político das trocas
A lista de ministros com planos eleitorais expõe como a Esplanada se tornou plataforma de projeção regional. Nomes à frente de pastas estratégicas articulam candidaturas ao Congresso, ao Senado e a governos estaduais, ampliando o custo político de cada substituição.
São Paulo aparece como o principal eixo dessa reorganização. A indefinição sobre candidaturas majoritárias, possíveis trocas partidárias e a disputa por espaço no maior colégio eleitoral do país pressionam o Planalto a escolher entre preservar quadros centrais ou maximizar ganhos eleitorais. Cada decisão desloca alianças e altera o equilíbrio interno do governo.
Com a janela de desincompatibilização concentrada até abril, Lula entra em um período decisivo. A depender da escala das saídas, o governo pode operar com comando provisório em áreas-chave enquanto tenta aprovar pautas, manter a base aliada e sustentar a narrativa de estabilidade. Em ano eleitoral, esse tipo de rearranjo costuma amplificar disputas internas e transformar cada nomeação em um sinal político — para dentro do governo e para fora dele.
Os ministros citados como potenciais candidatos ou envolvidos nas movimentações de desincompatibilização são:
- Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais),
- Rui Costa (Casa Civil),
- Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação),
- Anielle Franco (Igualdade Racial),
- Sonia Guajajara (Povos Indígenas),
- Carlos Fávaro (Agricultura),
- Jader Filho (Cidades), André de Paula (Pesca),
- Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos),
- Waldez Góes (Desenvolvimento Regional),
- Luiz Marinho (Trabalho),
- Simone Tebet (Planejamento),
- Marina Silva (Meio Ambiente),
- Guilherme Boulos (Secretaria-Geral),
- Macaé Evaristo (Direitos Humanos),
- Camilo Santana (Educação), André Fufuca (Esportes),
- Wellington Dias (Desenvolvimento Social),
- Alexandre Silveira (Minas e Energia),
- Wolney Queiroz (Previdência),
- Márcio França (Empreendedorismo),
- Renan Filho (Transportes),
- Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e
- Luciana Santos (Ciência e Tecnologia).




