O crime ocorreu na madrugada de 23 de janeiro, onde Rodrigo foi atingido por uma sequência de socos, batendo a cabeça contra um veículo ao cair
O falecimento de Rodrigo Castanheira, de 16 anos, ocorrido na manhã de sábado (7), deve alterar a acusação contra o piloto Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, de lesão corporal gravíssima para homicídio. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) informou que analisa com rigor a nova tipificação penal após o adolescente passar 16 dias em coma induzido no Hospital Brasília Águas Claras, vítima de traumatismo craniano e parada cardiorrespiratória decorrentes de agressões sofridas em Vicente Pires.
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O crime ocorreu na madrugada de 23 de janeiro, na porta de um condomínio, onde Rodrigo foi atingido por uma sequência de socos, batendo a cabeça contra um veículo ao cair. O inquérito policial, já concluído, foi encaminhado ao MPDFT, que agora decidirá os termos da denúncia sob sigilo. Pedro Turra, que inicialmente pagou fiança de R$ 24,3 mil para ser solto, teve a prisão preventiva decretada posteriormente e permanece detido em cela individual no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Papuda, após relatar ameaças. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já negou um pedido de habeas corpus da defesa.

Além do caso atual, o histórico do piloto revela um comportamento reincidente que agora vem à tona. Turra é investigado em outros três episódios: uma briga em uma praça de Águas Claras em junho de 2025, uma agressão contra um homem de 49 anos no trânsito e a denúncia de ter forçado uma menor de idade a ingerir bebida alcoólica. Diante da gravidade dos fatos, o jovem foi desligado da temporada 2026 da Fórmula Delta. O corpo de Rodrigo foi sepultado no Cemitério Campo da Esperança, sob forte comoção e críticas da família à sensação de impunidade do agressor.
A defesa do piloto afirma que ele está “abatido e profundamente arrependido”, buscando amparo religioso na prisão. Já o advogado da família da vítima classifica o ataque como um “ato de sadismo e prepotência” de quem se sentia “dono do mundo”. Abaixo, as notas oficiais enviadas pelas partes:
Nota da defesa de Pedro Turra “Em nome da família de Pedro Turra, com profundo respeito e sincera solidariedade, lamentamos o falecimento de Rodrigo Castanheira. Neste momento de imensa dor, nos unimos aos pais, familiares e amigos, expressando nossas mais sentidas condolências e desejando que encontrem amparo, conforto e força para atravessar este período de luto.”
Nota do advogado da família de Rodrigo “Como advogado, lido diariamente com processos e papéis. No entanto, no caso que envolve a perda trágica do Rodrigo Castanheira, o que temos diante de nós não são apenas folhas de papel; é o retrato de uma maldade que nos revolta profundamente. É inadmissível que, em pleno século XXI, ainda existam aqueles que se sintam “donos do mundo”. Pessoas que, embriagadas por uma sensação de poder e impunidade, planejam emboscadas e tratam a vida de um semelhante como se fosse algo descartável, um lixo a ser varrido para debaixo do tapete. A vida humana não tem preço e não pode ser medida pelo status social de quem a retira. O que aconteceu foi um ataque à própria ideia de humanidade. Quando alguém acredita que pode dispor da vida alheia por puro sadismo ou prepotência, atenta contra todos nós. A vida deste jovem, interrompida de forma tão brutal, não será esquecida. Minha atuação neste caso vai além do tribunal: é o compromisso de garantir que a justiça seja o limite para quem julga que pode tudo.”
Herdeiro de família influente e histórico de violência: quem é o piloto que matou jovem em Vicente Pires
A morte de Rodrigo Castanheira, de 16 anos, jogou luz sobre o rastro de agressividade deixado por Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, nos endereços mais nobres do Distrito Federal. Filho de uma família com conexões no setor de agronegócios e logística, o piloto da Fórmula Delta agora enfrenta não apenas o isolamento na Papuda, mas a revelação de um histórico de brigas e intimidação que, segundo relatos em blogs de Brasília e redes sociais, era abafado por uma rede de proteção e influência.




