Macaca somou apenas um ponto em sete rodadas e amarga terceiro rebaixamento desde 2022
A Ponte Preta teve seu rebaixamento para a Série A2 do Campeonato Paulista decretado na noite de sábado, no Estádio do Canindé, após a derrota por 2 a 0 para a Portuguesa, resultado que selou uma campanha marcada por baixo rendimento esportivo e graves problemas administrativos. O apito final do árbitro Douglas Marques das Flores confirmou a queda da Alvinegra, que encerrou a competição com apenas um ponto em sete rodadas.
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No vestiário, o clima foi de abatimento. Único a falar após a partida, o técnico Marcelo Fernandes reconheceu o fracasso coletivo e apontou que a equipe não conseguiu entregar nem o mínimo esperado dentro de campo. O treinador admitiu a responsabilidade compartilhada entre comissão técnica, jogadores e diretoria, ressaltando que a crise ultrapassou as quatro linhas e impactou diretamente o desempenho esportivo.

A preparação da equipe foi atravessada por sucessivos episódios de instabilidade nos bastidores. A reapresentação para a temporada foi adiada em dezembro por atraso no pagamento de salários, situação que culminou em paralisação das atividades pelos jogadores entre os dias 20 de dezembro e 2 de janeiro. O período comprometeu o planejamento físico e tático da equipe às vésperas do início do campeonato.
Além disso, indefinições na diretoria executiva quase resultaram na saída do meia e capitão Elvis, que chegou a anunciar que deixaria o clube diante da falta de garantias internas. O impasse só foi resolvido no fim de janeiro, permitindo sua permanência e participação no clássico contra o Guarani. Paralelamente, a Ponte iniciou o Paulistão impedida de registrar reforços devido a dois transfer bans que somavam R$ 2,7 milhões, situação regularizada apenas na quarta rodada da competição.
Marcelo Fernandes destacou o vínculo emocional com o clube e afirmou que viveu o período com sofrimento pessoal, relatando desgaste físico e psicológico diante da sequência de problemas. O treinador afirmou que optou por permanecer no clube mesmo diante de oportunidades em outras equipes, por gratidão e identificação com a instituição, mas condicionou sua permanência às decisões da diretoria.
Para o comandante alvinegro, o momento exige menos discursos e mais reconstrução. Ele defendeu serenidade, rejeitou a busca por culpados isolados e afirmou que o foco deve ser a reorganização interna para que o clube volte a ter estabilidade esportiva e administrativa.
Esta é a terceira queda da Ponte Preta desde janeiro de 2022, quando o atual grupo político assumiu o comando do clube. Naquele ano, a equipe foi rebaixada no Campeonato Paulista. Em 2024, veio a queda para a Série C do Brasileiro após campanha irregular na Série B. O novo rebaixamento aprofunda a crise e expõe a dificuldade da Macaca em retomar um ciclo de estabilidade, tanto dentro quanto fora de campo.




