Governador cita “uso seletivo da lei” e questiona desfile da Acadêmicos de Niterói na Sapucaí
O governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, divulgou nas redes sociais um vídeo ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o chefe do Executivo na abertura do Grupo Especial do Rio de Janeiro, na Marquês de Sapucaí, no domingo (15). A manifestação ocorre em meio ao silêncio do governador sobre questionamentos envolvendo o caso Banco Master e doações de campanha feitas pelo pastor Fabiano Zettel em 2022.
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No vídeo, Tarcísio utiliza um bordão popularizado por Nikolas Ferreira e afirma que há “uso parcial e seletivo do poder público”, citando frase atribuída ao pensador renascentista Nicolau Maquiavel. O governador compara decisões judiciais que atingiram o ex-presidente Jair Bolsonaro com o desfile da escola de samba, questionando se houve propaganda antecipada.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar tentativa de golpe de Estado após o resultado das eleições de 2022. Também foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação em reunião com embaixadores realizada no Palácio da Alvorada, além de sanções relacionadas às comemorações do Bicentenário da Independência.
Carnaval e embate político
Tarcísio criticou o samba-enredo da escola, mencionando trecho do jingle “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”, associado a campanhas do Partido dos Trabalhadores desde a redemocratização. Para o governador, o desfile teria extrapolado limites tradicionais de sátira e crítica característicos do Carnaval.
No mesmo vídeo, o chefe do Executivo paulista também relembrou episódios envolvendo decisões judiciais sobre conteúdos audiovisuais de viés político nas eleições de 2022 e citou investigações relacionadas a estatais e ao sistema financeiro. Ele utilizou ainda imagens produzidas por Inteligência Artificial para ironizar situações envolvendo órgãos públicos.
Nikolas Ferreira compartilhou a gravação e convocou apoiadores para ato previsto para 1º de março em defesa de Bolsonaro.
A publicação amplia o embate político em torno do Carnaval deste ano, tradicionalmente marcado por manifestações culturais com referências sociais e políticas. Até o momento, o governo federal não respondeu diretamente às declarações do governador.




