
Gustavo Munis de Santana estava com um celular, confundido pelos policiais com uma arma, segundo a versão dos agentes; oito PMs participaram da ocorrência e quatro efetuaram disparos, totalizando 45 tiros
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Por Sandra Venancio – Jornal Local
Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, morreu após ser baleado durante uma ação da Polícia Militar na madrugada de sábado (10), no bairro de Moema, zona sul de São Paulo. O jovem foi atingido por disparos em diversas partes do corpo. Segundo informações do boletim de ocorrência, oito policiais participaram da ocorrência e quatro deles atiraram, totalizando 45 disparos.
O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela investigação de mortes provocadas por policiais em serviço contra civis, foi comunicado às 8h40. O registro policial aponta que Gustavo foi baleado às 2h45, o que representa um intervalo de quase seis horas até a comunicação ao departamento especializado.
Os policiais envolvidos afirmaram que confundiram o celular que Gustavo segurava com uma arma. O aparelho foi encontrado por peritos próximo aos pés da vítima. Segundo o boletim de ocorrência, os agentes relataram que o jovem estaria transtornado e ameaçando atirar contra si próprio.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os policiais foram afastados das atividades operacionais e que foi instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos agentes. A pasta também comunicou que as armas dos policiais foram apreendidas e que as imagens das câmeras corporais serão analisadas.
A SSP declarou que todos os procedimentos adotados durante e após a ocorrência serão apurados. A secretaria, porém, não respondeu ao questionamento da reportagem sobre a demora na comunicação ao DHPP.
Disparos e investigação
De acordo com o registro policial, quatro dos oito agentes envolvidos efetuaram disparos: um realizou 14 tiros, outro 13, um terceiro seis e o quarto 12. Os projéteis atingiram diferentes regiões do corpo de Gustavo, incluindo cabeça, pescoço, tórax, cotovelo, bacia, antebraço, mão e perna. Um veículo da Polícia Militar também foi atingido duas vezes no capô.
A Polícia Civil registrou inicialmente a ocorrência como resistência, considerando a hipótese de legítima defesa apresentada no registro inicial. A dinâmica da ação e as circunstâncias da morte serão apuradas pelas investigações.
O corpo permaneceu na Alameda dos Guaramomis por pelo menos oito horas. Após a realização da perícia, foi liberado às 11h04 para remoção pelo Instituto Médico-Legal (IML).
Familiares informaram à polícia que Gustavo morava com a mãe e as irmãs e fazia uso de medicamentos para depressão desde o ano passado. Segundo o boletim de ocorrência, ele não tinha antecedentes criminais. Uma parente disse à reportagem que a família aguardaria o resultado das investigações.
Os policiais envolvidos pertencem ao 12º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo policiamento de áreas como Moema, Vila Mariana, Planalto Paulista e Campo Belo.
Outro caso envolvendo o batalhão
Em 2024, dois policiais vinculados ao mesmo batalhão mataram o estudante de medicina Marco Aurélio Cadenas Acosta, de 22 anos, na Vila Mariana. Naquela ocorrência, o estudante também estava desarmado.
Os dois casos envolvem mortes de jovens em ocorrências com policiais militares e dependem da apuração das circunstâncias específicas de cada ação. No caso de Gustavo, a SSP informou o afastamento operacional dos agentes, a apreensão das armas e a análise das imagens das câmeras corporais.


