
Em meio à alta na pobreza, queda no PIB e queda de aprovação popular, Javier Milei enfrenta novos protestos pelo congelamento da Lei de Financiamento Universitário e pelo plano de ajuste fiscal
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Dezenas de milhares de manifestantes, entre estudantes, professores, reitores, sindicatos e organizações sociais, voltaram a ocupar o centro da capital argentina e importantes cidades como Córdoba e Rosário. A mobilização, batizada de Marcha Federal Universitária, cobra a aplicação imediata da Lei de Financiamento Universitário e protesta contra a política de rigoroso ajuste fiscal promovida pelo governo do presidente Javier Milei.
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O ato concentrou-se na Praça do Congresso, em Buenos Aires. Por volta do fim da tarde, a manifestação foi marcada por episódios de tensão entre grupos de protestantes e as forças de segurança. Tropa de choque utilizou bombas de gás lacrimogêneo e caminhões com jatos d’água para desobstruir vias públicas e afastar manifestantes, que responderam arremessando pedras e objetos contra o cercado de proteção do Congresso.
O Estopim: A Batalha do Orçamento Universitário
O foco central da convocatória é a cobrança da Lei de Financiamento Universitário, norma aprovada no Poder Legislativo que prevê o reajuste dos salários de professores e funcionários administrativos, a atualização do valor de bolsas estudantis e o envio de recursos essenciais para custeio operacional.
- Suspensão por Decreto: O governo Milei congelou a execução orçamentária da norma por decreto sob a justificativa de preservação do déficit zero.
- Impasse Judicial: Apesar de decisões em instâncias inferiores declararem a medida inconstitucional, instâncias de apelação concederam efeito suspensivo para avaliar os recursos apresentados pelo Executivo.
- Defasagem Orçamentária: Representantes de instituições de ensino, como a Universidade de Buenos Aires (UBA), apontam perdas salariais do corpo docente superiores a 30% e cortes operacionais substanciais. A proposta do Executivo prevê cerca de 7,3 trilhões de pesos para a área, enquanto reitores alegam a necessidade de ao menos 11 trilhões.
O Cenário Macroeconômico e Social
A insatisfação com a área educacional soma-se à pressão popular provocada pela desaceleração econômica e pela queda no poder de compra:
- Atividade em Queda: O Produto Interno Bruto (PIB) argentino registrou recuo de 0,6% no 2º trimestre do ano, e a projeção de crescimento do país para 2026 foi reduzida de 3,5% para 2,1% pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
- Inflação e Pobreza: Embora inferior aos patamares de períodos anteriores, a inflação acumulada atinge 33,4% em 12 meses. A taxa de pobreza subiu para 32% no primeiro semestre, com a taxa de desocupação avançando para 7,9%.
Impasses no Congresso e Rejeição Popular
O novo ciclo de manifestações ocorre em um momento de desarticulação política para a base governista no Congresso Nacional:
- Recuos Políticos: O governo enfrentou forte oposição parlamentar e jurídica, precisando recuar de iniciativas como a flexibilização do regime de venda de terras a estrangeiros.
- Avaliação Geral: Recentes pesquisas de opinião pública (como a da consultoria AtlasIntel) registram que a desaprovação da gestão de Javier Milei gira na casa dos 57%, contra uma aprovação positiva em torno de 38%.
Para os manifestantes e as centrais sindicais (como CGT e CTA), o ato sinaliza que o rigor fiscal não pode sobrepor-se ao financiamento de serviços vitais como a educação. Do outro lado, o Poder Executivo reitera que manterá o equilíbrio das contas públicas como pilar inegociável do plano econômico.


