
José Zuhlke é uma das 70 pessoas que participaram do combate a incêndios na área rural de Joaquim Egídio ocorrida em setembro desse ano, durante toda a tarde e noite, do dia 14 do mês passado. O fogo atingiu 10 mil metros quadrados de Área de Preservação Ambiental (APA).
De acordo com os moradores, os bombeiros só chegaram às 16h30, quando o fogo já tinha se alastrado. A equipe que esteve no local, tinha apenas um caminhão e sem a bomba para puxar água dos lagos e combater as chamas.
As chamas começaram nas imediações da Fazenda Malabar. Os proprietários e vizinhos se mobilizaram para apagar os focos de incêndio que só cresciam devido aos fortes ventos. Outras áreas também foram atingidas, como a Fazenda São Quirino, Monte Moria, Das Cabras e Fazenda Bonfim.
Para ajudar no combate ao fogo, o proprietário da Fazenda São Quirino alugou um helicóptero, que durante dois dias apagou vários focos na mata que era impossível adentrar a pé.
Um dos proprietários de uma fazenda na região, chegou a apagar incêndios em sua propriedade. Ele, e sua equipe de funcionários estavam exaustos por trabalharem dias seguidos, sem conseguir controlar os incêndios. Assim, pediram socorro às autoridades e a Defesa Civil que mandou reforços.
Após a tragédia, moradores, condôminos, fazendeiros e trabalhadores da região se reuniram com autoridades, na subprefeitura de Joaquim Egídio para apresentar propostas e a criação de uma Brigada de Incêndio, na área rural de Joaquim Egídio. A iniciativa partiu do empresário Nelson Cayres, morador da região.
O subprefeito de Sousas Pedro de Oliveira, se comprometeu a encaminhar um ofício ao Corpo de Bombeiros solicitando uma reunião, para discutir um plano para a área rural e dar início ao projeto de Prevenção e Combate de Incêndio.
De acordo com o delegado Dr. Rocha, que participou das reuniões, uma perícia apurou que a origem do incêndio foi um curto circuito num transformador da CPFL.
Nesse encontro, os proprietários nomearam o morador Jose Zuhlke como coordenador da Campanha de Brigadistas. De acordo com ele, foi criado grupo de whatsApp e o cadastramento de voluntários para as Brigadas. Duas turmas iniciais já foram criadas e aguardam o treinamento e formação de Brigadistas do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), com apoio do Sindicato Rural de Campinas. Os cursos de formação de brigadistas devem acontecer no início de dezembro.
“Criamos um grupo de ‘Alerta de Incêndios’ para comunicar princípios ou risco de incêndio quando for detectado. Em breve vamos divulgar a todos, mas precisamos ter a participação da Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros”, informou Zuhlke. “Meu trabalho é voluntário e minha motivação é o amor pela nossa região. Quero morar aqui e ajudar a preservar nossa APA. Pretendo engajar os proprietários e autoridades para uma grande campanha de conscientização”, diz ele.
Outra reinvindicação dos moradores rurais é criar uma Brigada de Incêndio na área rural em um prédio desocupado, próximo ao Bar do Vicente.
Como ocorrem os incêndios
Nesse período de estiagem, uma das principais causas da propagação de focos de incêndios está relacionado a redução da umidade ambiental. Outros fatores naturais contribuem com os incêndios como os raios, porém os incêndios criminosos são praticados por moradores como a queima de lixos sólidos ou líquidos, folhas, capim e galhos. Outra prática corriqueira e parece ser inofensiva é jogar cigarro acesso na estrada ou soltar balões e fogos de artificio nas áreas rurais.
Segundo a presidente da ONG Apa Viva, Angela Poldosky, a prevenção e educação ambiental são as ferramentas mais importantes para evitar as queimadas e incêndios.
“As queimadas destroem a vegetação, degradam o solo e matam os animais, além de poluir o ar com fumaça e gases tóxicos provocam doenças respiratórias e contribuem para o aquecimento global do planeta”, afirma a ambientalista.
Provocar queimadas e incêndios é crime ambiental garantido na Lei Municipal nº 8.259 de 05/01/1995, o emprego do fogo sob qualquer forma para fins de limpeza do solo. A Lei da APA 10.850 de 07/06/2001, em seu Artigo 3º, inciso IV, também pune os infratores como forma de proteger os remanescentes florestais. E por fim, a Lei Federal 9.605 de 13/02/1998 estão previstas sanções, multas e prisão por delito.
O assunto foi levado ao Conselho Comunitário de Segurança de Sousas e Joaquim Egídio, em reunião no dia 06 de outubro. Nessa oportunidade houve apresentação do projeto da criação da Brigada de Incêndio pelo coordenador da campanha, Jose Zuhlke. “Nós já vinhamos discutindo desde agosto, quando começaram os incêndios no Pico das Cabras, a criação de um grupo de whatsApp, para criar alertas e situações de risco ou quando há início de incêndio, identificando o cenário e o local, com fotos para facilitar as ações.
De acordo com o presidente Otávio Borttoloto, o problema é sério e merece uma atenção especial dos membros da diretoria, de apoio na criação das brigadas. “Vamos unir todas as forças de segurança para ajudar o pessoal da área rural que está sendo castigado pelos incêndios”, conclui.
Ocorrências
Só neste ano foram registradas 74 ocorrências de incêndios em Campinas, entre o dia 1 de maio e 28 de junho. No mesmo período foram 10 registros.
Em 2019, o número de ocorrências foi de 132 focos de incêndio entre os meses de julho, agosto e setembro. Historicamente, a tendência é de aumento das queimadas nos meses de julho, agosto e setembro, isso por causa do tempo seco.




