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Há 41 anos, Vicentinas da Santa Casa costuram, bordam e entregam enxovais a recém-nascidos carentes

Mesmo na pandemia, elas não deixaram de fazer o trabalho voluntário;  cada uma em sua casa

 

 

Os cabelos brancos e as mãos que trazem as marcas da história de uma vida são as principais características dessas mulheres que se dedicam a fazer o bem a milhares de pessoas sem ao menos conhecê-las. Essas voluntárias são chamadas de Vicentinas que, somente na Santa Casa de Piracicaba, completam 41 anos de atuação.

 Tradicionalmente, uma vez por semana elas se reúnem em uma sala cedida pela Santa Casa, com amplo espaço, para que possam costurar, bordar e montar os enxovais a serem doados. No entanto, com a pandemia, os encontros presenciais foram suspensos, pois de acordo com a vice-presidente do grupo, Maria Lúcia Borges, a grande maioria das 20 integrantes, tem mais de 80 anos.

 “Mesmo distante, não paramos nunca. Levamos os tecidos para um grupo de mulheres que corta, outra que costura, outra que arremata e outra que finaliza as peças e, assim, mantemos o nosso compromisso de entregar aos recém-nascidos carentes um enxoval que vai ajudar as mães neste início da vida deles”, salientou.

 Nesses 41 anos, elas já perderam as contas de quantas peças já foram produzidas e doadas. Cada enxoval entregue é composto de 45 peças, entre cobertor, toalha de banho, fralda de pano, fraldas descartáveis, ‘mijãozinho’, casacos de flanela, pijama, camisas de algodão, calças plásticas, casaco de lã, manta, macacão, sapatinhos de lã, pares de meia e conjunto completo de malha e body.  Por mês, segundo Lucia são entregues, em média, 30 enxovais.

 A presidente e uma das fundadoras do grupo,  Adair Rainha, disse que tudo começou em 1980, quando cinco vicentinas procuraram a Santa Casa para dar início ao trabalho. “Na época nos foi cedida uma sala próxima ao antigo velório; onde começamos a confeccionar peças de roupas para os mais necessitados”, conta a vicentina. Segundo ela, com o passar do tempo, o grupo cresceu e a sala ficou pequena. “Foi quando o provedor João Orlando Pavão nos presenteou com um novo espaço, contendo um amplo salão para costura, cozinha e banheiro”, disse, local onde permanecem até hoje.

 Parte da produção das Vicentinas é destinada a bebês carentes nascidos na Maternidade “Amália Dedini”, da Santa Casa, e parte é destinada também a crianças assistidas por outras entidades da cidade. Os enxovais são entregues às mães pelas assistentes sociais do Hospital e, apesar de não terem contato direto com as famílias beneficiadas pelos enxovaizinhos, D. Adair relembra um fato que marcou sua vida.

 “Tempos atrás um rapaz nos procurou com lágrimas nos olhos. Disse que sua esposa tinha acabado de dar à luz e que ele estava desempregado. Pediu nossa ajuda e assim o fizemos. Passados dois meses, sua esposa veio até nossa sala com a bebê no colo, vestindo as roupinhas que havíamos confeccionado. Ela nos agradeceu e disse que, graças às Vicentinas, sua filha tinha o que vestir. Ficamos emocionadas”. 

 

DOAÇÃO

Todos os tecidos, linhas e botões utilizados pelas Vicentinas são adquiridos pelas próprias voluntárias; mas diante da pandemia, algumas ações realizadas por elas para angariar fundos para adquirirem verba para a compra dos materiais foram suspensas. Portanto, quem quiser ajudar o grupo doando malhas, flanelas e linhas estarão contribuindo para a continuidade do trabalho dessas mulheres. Para saber mais, mande mensagem para o (19) 99787-9910.

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