O socialista António José Seguro foi eleito neste domingo (8) o novo Presidente da República de Portugal, ao derrotar o candidato da extrema-direita André Ventura no segundo turno das eleições presidenciais. Com mais de 99% das urnas apuradas, Seguro consolidou uma vitória expressiva com 66,82% dos votos válidos, somando cerca de 3,48 milhões de votos e superando a barreira histórica de 3 milhões alcançada por poucos antecessores.
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A vitória de Seguro representa um marco no cenário político português, sendo esta a primeira vez em 40 anos que uma eleição presidencial no país foi decidida em uma segunda volta — a última havia sido em 1986. O candidato do partido Chega, André Ventura, obteve 33,18% dos votos (aproximadamente 1,72 milhão) e já reconheceu publicamente a derrota, desejando um bom mandato ao adversário, enquanto destacava sua intenção de continuar liderando o campo da direita.

A abstenção no pleito ficou próxima de 50%, em uma votação marcada por condições climáticas adversas em diversas regiões do país. Mesmo com tempestades que forçaram o adiamento da votação em alguns municípios de pequena dimensão, o resultado nacional não foi afetado. Seguro conseguiu vencer em todos os 68 concelhos que se encontravam em situação de calamidade devido ao mau tempo.
Historicamente, Seguro junta-se ao restrito grupo de presidentes eleitos com mais de 3 milhões de votos desde a redemocratização em 1976. O recorde de votação absoluta e percentual ainda pertence a Mário Soares, que em 1991 obteve 3,45 milhões de votos (70,35%). António Ramalho Eanes (1980) e Jorge Sampaio (1996) também ultrapassaram a marca dos 3 milhões em seus respectivos pleitos.
António José Seguro sucederá Marcelo Rebelo de Sousa, que ocupa o Palácio de Belém desde 2016 e encerra seu segundo mandato em março. A posse do novo presidente está agendada para o dia 9 de março de 2026. Líderes internacionais, incluindo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, já enviaram mensagens de felicitação, classificando o resultado como uma vitória da democracia e do equilíbrio político na Europa.




