Quem vê a servidora municipal Maria Cristina Bognar, com os seus 50 quilos, pelos corredores da Prefeitura de Campinas, não imagina estar cruzando com uma campeã mundial de luta de braço. A advogada já venceu sete vezes o campeonato e se prepara mais uma vez para a competição.
Cristina embarca para Porto Viro, na Itália, no próximo dia 4 de setembro, aonde buscará o oitavo título do mundial. Para conseguir participar do campeonato, a atleta venceu o Campeonato Brasileiro realizado no Clube Cultura, nos dias 15 e 16 de agosto.
Competindo pelo Clube de Regatas e Natação, Cristina venceu na sua categoria até 50 quilos, nos dois braços (direito e esquerdo). “São duas competições dentro de um único campeonato. Consegui derrotar minhas adversárias tanto com o braço esquerdo como o direito”, explicou.
Agora o treinamento da advogada se intensificou. As atividades aeróbias são realizadas todos os dias. Além disso, três vezes na semana, durante três horas, Cristina faz musculação e o aperfeiçoamento técnico.
Segundo a atleta os treinos têm dados bons resultados principalmente a equipe feminina. “A seleção brasileira feminina conquistou nos últimos quatro anos o título de campeã por equipes”, afirmou. Atualmente, as principais potências na modalidade são os países do leste europeu, com destaques para a Rússia e Ucrânia.
Além de Cristina, Campinas terá cerca de dez atletas no mundial. A cidade é uma das principais representantes da luta de braço no país.
História
Trinta anos e dois filhos. Esse não é o perfil mais comum para iniciar a carreira esportiva. Mas foi exatamente assim que Cristina se apaixonou pela luta de braço.
A atleta conta que decidiu fazer musculação por uma questão estética. “Meus filhos iam ao clube e eu aproveitei para iniciar as aulas de musculação. Me achava muito magrinha, meus braços eram fininhos”, brincou.
A partir daí, a amizade com os colegas e um convite do técnico Hugues Jorge acabaram convencendo Cristina a integrar a equipe do Clube Regatas. “Lembro que foi em 94 e no ano seguinte o campeonato mundial seria no Brasil. O clube não tinha nenhum representante na minha categoria, e o técnico acabou me convencendo que eu tinha potencial para ingressar na luta de braço”, disse.
A partir daí, Cristina não parou mais. O treinamento e a dedicação renderam inúmeros títulos e medalhas que ela já nem consegue mais contar. “Na minha casa praticamente não tem mais espaço para tanto troféu. Só as medalhas de mundiais são quase trinta”.
Atualmente, para participar dos campeonatos a ajuda vem do Bolsa-Atleta, do Governo Federal. Há quatro anos ela conseguiu a aprovação e renovação da ajuda. O programa oferece um auxílio mensal para os atletas, que não possuem patrocínio, utilizarem a verba no custeio dos treinamentos e na participação das competições.
Além disso, Cristina contou que uma parceria da Confederação Brasileira de Luta de Braço com o Ministério do Esporte viabiliza as passagens para as competições.
“Antes eu tinha que me preocupar com essa questão financeira, se eu teria patrocínio ou não. Hoje com o Bolsa-Atleta minha única preocupação é com os meus treinamentos”, contou.
Funcionária Pública há 22 anos, advogada, mãe e atleta em treinamento para o mundial, Cristina se diz realizada. “Minha família me dá a maior força. Jamais imaginei, que quando comecei com a luta de braço, fosse chegar tão longe. Mas é isso que me faz feliz e me dá prazer”, concluiu.
Campeã mundial de luta de braço
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