Bastidores em Brasília revelam articulação para formar maioria na Segunda Turma do Supremo e impedir colaboração premiada do banqueiro

Políticos ligados ao centrão iniciaram uma ofensiva nos bastidores de Brasília para tentar garantir a libertação do banqueiro Daniel Vorcaro na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal. A movimentação ocorre diante do receio de que o avanço das investigações leve o empresário a firmar acordo de delação premiada e revelar relações financeiras e políticas mantidas nos últimos anos com integrantes do Congresso.
<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp>
Nos bastidores do Judiciário, interlocutores políticos passaram a monitorar votos dentro do colegiado responsável por analisar o caso. O objetivo seria construir uma maioria favorável à soltura do banqueiro, preso por decisão autorizada pelo ministro André Mendonça, relator da investigação.
A estratégia ganhou novo cenário após o ministro Dias Toffoli declarar-se suspeito para analisar o processo relacionado à prisão de Vorcaro. Com a saída de Toffoli do julgamento, a Segunda Turma passa a deliberar com quatro ministros. Nesse contexto, um eventual empate beneficia o investigado, conforme prevê a legislação penal brasileira.
Pressão política e cálculo de votos
A Segunda Turma do STF é composta pelos ministros Luiz Fux, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques, além do relator André Mendonça. Com Toffoli fora do caso, a composição reduzida abre espaço para diferentes cálculos políticos dentro e fora da Corte.
Segundo avaliações feitas no próprio STF, não há consenso interno sobre o desfecho do julgamento. O único posicionamento conhecido até agora é o do relator, que autorizou a prisão do banqueiro durante as investigações relacionadas ao grupo financeiro investigado.
No Congresso, parlamentares avaliam que uma eventual permanência prolongada de Vorcaro na prisão pode ampliar a pressão para um acordo de colaboração premiada. O temor é que a delação revele vínculos financeiros, repasses e interlocuções políticas envolvendo figuras do centrão e estruturas empresariais ligadas ao sistema financeiro.
A análise do caso pela Segunda Turma do STF ainda não tem data definitiva para ocorrer, mas a disputa nos bastidores já mobiliza operadores políticos e advogados que acompanham o avanço das investigações.




