Empresas e firmas vinculadas ao banqueiro Daniel Vorcaro movimentaram ao menos R$ 2 bilhões na compra de imóveis de alto padrão e aeronaves no período em que o Banco Master já dava sinais claros de colapso financeiro e deixava de honrar compromissos com investidores
As aquisições ocorreram majoritariamente a partir de 2024, quando a situação do Banco Master se deteriorava de forma acelerada. À época, clientes que haviam aplicado recursos em Certificados de Depósito Bancário passaram a relatar atrasos nos pagamentos e dificuldades para reaver valores investidos. Mesmo nesse contexto, empresas ligadas direta ou indiretamente a Vorcaro ampliaram significativamente seu patrimônio imobiliário e de ativos de luxo no Brasil e no exterior.
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Entre os bens identificados estão mansões, apartamentos em áreas nobres e jatinhos executivos. Um dos negócios mais expressivos foi a compra de uma mansão em Miami, concretizada em janeiro de 2025 por US$ 85 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 460 milhões na cotação do período. O imóvel está situado em uma das regiões mais valorizadas do mercado imobiliário da Flórida, conhecida por atrair grandes fortunas internacionais.

O volume das compras chamou a atenção de investigadores e do mercado financeiro pelo contraste com a situação do banco. Enquanto o Banco Master enfrentava dificuldades para cumprir obrigações básicas com seus investidores, o conglomerado empresarial associado ao seu controlador seguia expandindo ativos de elevado valor. O levantamento indica que aproximadamente 85% dos R$ 2 bilhões mapeados foram desembolsados justamente quando os sinais de insolvência já eram públicos.
As operações levantam questionamentos sobre a origem dos recursos utilizados e sobre eventuais estratégias de separação ou blindagem patrimonial entre o banqueiro, suas empresas e a instituição financeira. O Banco Master acabou sendo submetido à liquidação extrajudicial após a constatação de irregularidades e da incapacidade de honrar compromissos, abrindo espaço para investigações por órgãos de controle do sistema financeiro.
Especialistas ouvidos no setor avaliam que o crescimento acelerado do patrimônio vinculado ao controlador, em paralelo à quebra do banco, reforça a necessidade de aprofundamento das apurações. O foco é esclarecer se houve desvio de recursos, gestão temerária ou manobras patrimoniais realizadas às vésperas da intervenção, com potencial prejuízo a investidores e credores.
Dados preliminares das investigações apontam que parte relevante das aquisições foi realizada por meio de empresas com estruturas societárias complexas, algumas sediadas fora do país. O rastreamento desses fluxos financeiros passou a ser prioridade para autoridades, que buscam identificar conexões entre a crise do Banco Master, o destino dos recursos captados junto a investidores e o aumento expressivo do patrimônio associado a Daniel Vorcaro.




