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terça-feira, fevereiro 10, 2026
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Cortes, fechamento de salas e contratos precários deixam cerca de 40 mil professores sem aulas em São Paulo

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Governador de SP fecha escolas e deixa professores sem aulas

Cerca de 40 mil professores da rede estadual de São Paulo ficaram sem aulas atribuídas no início do ano letivo de 2026, etapa que define turmas, carga horária, escolas e garante a renovação de contratos. Ao acessarem a Secretaria Escolar Digital, docentes constataram que não receberam classes, ficando sem trabalho e, em muitos casos, sem salário, em um cenário marcado por cortes orçamentários, fechamento de salas e expansão de contratos temporários.

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O impacto atinge professores de diferentes vínculos. Entre os efetivos da categoria A e os estáveis da categoria F, cerca de 10 mil ficaram sem aulas. Já os professores da categoria O, com contratos temporários, concentram a maior parte dos desligamentos e perderam completamente a renda com a não renovação contratual. Os efetivos continuam recebendo salários ao serem realocados para funções administrativas, enquanto os estáveis permanecem apenas com a carga mínima de aulas, sem garantia de ampliação.

O resultado combinado de cortes orçamentários, reorganização da rede, fechamento de salas e regras mais rígidas de contratação expôs um cenário de instabilidade que atinge milhares de profissionais e impacta diretamente o funcionamento das escolas públicas paulistas. Foto Tania Rego/Agencia Brasil

Precarização avança e contratos temporários superam efetivos

Uma professora da categoria O, que entrou na rede entre 2023 e 2024 e prefere não se identificar, relata que ficou sem qualquer atribuição neste início de ano. Sem contrato renovado, ela diz que precisou buscar alternativas fora da educação para sobreviver. Segundo o relato, a insegurança é recorrente e faz parte da rotina de quem atua como temporário. Outro docente afirma que a pressão por desempenho e a instabilidade contratual são constantes, com cobranças que partem desde a gestão central até as direções escolares, variando conforme a unidade.

https://twitter.com/carlosgiannazi/status/2014309998738690175?s=20

Dados mostram que a ampliação dos contratos temporários se intensificou a partir de 2023. Enquanto os vínculos efetivos caíram, os temporários passaram a ser maioria na rede estadual, alterando a estrutura do magistério paulista. Para dirigentes sindicais, essa mudança revela uma política deliberada de flexibilização e redução de custos, com avanço de modelos de contratação mais precários.

O cenário é agravado pela redução do orçamento da educação. A mudança na Constituição estadual diminuiu de 30% para 25% o percentual mínimo da arrecadação destinado ao setor, o que representa uma queda anual estimada em cerca de R$ 11 bilhões. O corte foi aprovado pela Assembleia Legislativa no fim de 2024 e passou a impactar diretamente a manutenção das escolas, a abertura de turmas e a contratação de professores.

Fechamento de turmas reduz aulas e expulsa docentes da rede

O número de salas de aula da rede estadual caiu de 70.535 para 70.019 entre 2024 e 2025, com fechamento de turmas em diferentes turnos, incluindo Educação de Jovens e Adultos. A redução afeta principalmente o ensino médio noturno, modalidade procurada por estudantes que trabalham durante o dia. Mesmo após ajustes em normas de matrícula, o fechamento de salas continuou, diminuindo a demanda por professores e ampliando o contingente sem aulas atribuídas.

Paralelamente, novas regras administrativas ampliaram o risco de exclusão prolongada dos docentes temporários. Professores da categoria O que ficarem sem aulas por determinado período podem ter o vínculo encerrado e ficar impedidos de retornar à rede por até três anos, mesmo se aprovados novamente em processos seletivos. Na prática, a falta de atribuição pode resultar em afastamento prolongado do magistério estadual.

O resultado combinado de cortes orçamentários, reorganização da rede, fechamento de salas e regras mais rígidas de contratação expôs um cenário de instabilidade que atinge milhares de profissionais e impacta diretamente o funcionamento das escolas públicas paulistas.

Outro lado
A Secretaria da Educação informou que o processo de atribuição de aulas ocorre de forma contínua ao longo do ano letivo e que professores não contemplados inicialmente podem ser chamados conforme a abertura de novas turmas, afastamentos e licenças. A pasta afirma que a rede estadual possui cerca de 3,9 milhões de aulas atribuídas e que o atendimento aos estudantes está garantido em todas as unidades escolares.

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