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sexta-feira, março 6, 2026
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Definição de rumos

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Por Pedro J. Bondaczuk

O homem tem que definir objetivos, estabelecer metas, determinar um rumo razoavelmente possível de conduzi-lo ao sucesso. Sem isso, não chegará a lugar algum, a não ser ao destino comum de todos os seres viventes, animais ou vegetais: a morte. E esta, infelizmente, é a única e rigorosa certeza que temos. Sem essa espécie de “roteiro”, o homem caminhará em círculos, sem chegar a lugar algum e exaurindo as forças por nada. Nossa jornada no mundo caracteriza-se pelo incerto, pelo desconhecido, pelo casual. Quando nascemos, não nos acompanha nenhum manual de instruções dando conta de como devemos proceder para funcionar bem. Nós é que temos que descobrir como fazer isso.
Para traçar rumos corretos – profissionais, pessoais e até mesmo, ou principalmente, espirituais – é necessário que as pessoas entendam que vivem por alguma razão e que esta não se restringe a comer, beber, dormir, reproduzir-se e morrer, para que sua descendência percorra o mesmo ciclo indefinidamente, buscando apenas, e quando muito, conquistas materiais e a satisfação dos sentidos.
Frise-se que o fato de se estabelecer objetivos não dá nenhuma certeza a ninguém de que eles serão atingidos, mesmo que sejam aparentemente factíveis e fáceis de alcançar. Contudo, essa atitude prudente concentra forças em determinado alvo, evita a dispersão e, até pela lógica, proporciona mais condições de sucesso. Evita, por exemplo, ações erráticas e contraditórias, que nos fazem marcar passo e que não permitem que se saia do lugar. Organiza, enfim, a vida das pessoas.
Não é por acaso que esse ser complexo e ainda primitivíssimo (em termos de relacionamento) é dotado de razão e livre-arbítrio. Conta com essas características para promover o próprio desenvolvimento mental e espiritual (entendendo-se aqui “espírito” como a essência do indivíduo) e, por conseqüência, o da espécie. Não vivemos sós no mundo. O convívio social implica em permanente interdependência. Assim como dependemos dos outros (e são tantos!) para sobreviver, muitos, com certeza, também dependem ou virão a depender um dia de nós.
A vida ganha novo sabor, e adquire grandeza e transcendência, quando a usufruímos em toda sua plenitude, com suas dores e prazeres, alegrias e tristezas, sucessos e fracassos. Mas ela apenas terá sentido, reitero, quando lhe impusermos algum. Quando estabelecermos um objetivo e empenharmos todo o nosso imenso (mas desconhecido) potencial no seu alcance.
Para alcançarmos a felicidade – que sempre está dentro de nós e que nos compete descobrir e conservar – temos que relevar nossas fraquezas, embora sem deixar de nos empenhar para superá-las. Se não superarmos todas, as poucas que conseguirmos eliminar já nos deixarão no lucro. É preciso ter coragem e forças de nos levantar sempre que viermos a tropeçar e a cair, e persistir, persistir sempre, de maneira incansável, com determinação e fé, na busca da concretização do nosso ideal. Ou seja, dos tais objetivos que estabelecermos (isso, caso os estabeleçamos, claro).
Estou convicto de que viemos ao mundo com alguma finalidade que, certamente, não é a de meramente sofrer e nem a de nos colocarmos à margem da sociedade e da vida. Compete-nos detectar e, quando não, estabelecer nossa razão de viver. Fedor Dostoievsky observa, com pertinência, a propósito: “O segredo da existência humana não reside só em viver, mas também em saber para que se vive”. Pois é, para que? Parece simples, a resposta parece óbvia, mas não é.
O fotógrafo norte-americano Edward Steichen, acostumado a flagrar as cenas mais chocantes e incompreensíveis do cotidiano, observou certa feita: “É possível compreender os estragos da bomba atômica. Mais difícil é entender o significado da vida”. Aliás, tarefa dessa natureza e magnitude virtualmente raia ao impossível, dada sua complexidade. A compreensão do intrincado mecanismo vital é mais fácil e a cada dia fica mais clara.
A morfologia e o funcionamento das células, tecidos, órgãos, aparelhos e organismos vivos já perderam quase todos os mistérios. Cientistas já mapearam a totalidade dos genes humanos. Bebês de proveta há muito deixaram de ser novidade. A engenharia genética é capaz de mesclar características de diferentes espécies numa só (os transgênicos) ou de clonar qualquer um de nós, partindo de quaisquer das nossas células. Mas qual é a “razão de viver”? Qual a verdadeira finalidade da existência? Existe alguma? Há uma única? São várias? Como se vê, a questão é muito, mas muito mais complexa do que se possa supor.
Para tentar responder a essa “Esfinge”, que a cada instante nos questiona e desafia, temos o recurso da inteligência. Podemos (e devemos) usar a imaginação, essa maravilhosa capacidade com que fomos dotados de “criar” o abstrato e até o inexistente. Muitos, porém, inibem-na, reduzem seus recursos e, por conseqüência, suas possibilidades de sucesso. São os que se arrogam em “realistas” que, todavia, não sabem interpretar corretamente a tal da realidade.
O cronista mineiro, Paulo Mendes Campos, descreve, numa de suas tantas crônicas, o cenário ideal para a imaginação voar livre e veloz, em busca de dimensões e de mundos ideais. Em uma delas, intitulada “De um caderno cinzento”, datada de 17 de agosto de 1967, publicada na Revista Manchete, pincei este trecho que se refere ao cenário ideal para essas “viagens”: “Céu azul não conhece fronteira de sombra; céu azul é indispensável antes de tudo aos cegos; azul do céu não é cor, mas uma qualidade do mundo, uma luminosidade apreensível por todos os sentidos, fragrância, convivência mais delicada, concerto de sons, transparência do universo”.
Como se vê, a imaginação é, mesmo, veloz, imprevisível, mas, não raro, também dispersiva e caótica. Por isso, precisa ser direcionada, e sempre, para o lado positivo e belo da vida. Se fizermos o contrário, conheceremos o inferno e seus incontáveis sofrimentos. Tem, por isso, como campo preferido de atuação, o espaço infinito, ou seja, a imensidão sem limites, o céu sem fronteiras. Mas tudo isso deve ter uma finalidade: a de tentar concretizar os objetivos que estabelecermos. Claro, se o fizermos e, principalmente, se eles forem factíveis.

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