Ela foi detida em operação do Ministério Público por organização criminosa e lavagem de dinheiro
Uma delegada de polícia recém-empossada foi presa nesta sexta-feira, 16, em São Paulo, durante uma operação do Ministério Público que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital nas estruturas do Estado. A prisão ocorreu por determinação da Justiça, que decretou a prisão temporária da delegada e do namorado dela, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel.
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Segundo as investigações, Dedel é apontado por autoridades da Região Norte como integrante do PCC e um dos principais responsáveis pelo tráfico de armas e drogas em Roraima. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o casal junto no momento da prisão.

Além dos mandados de prisão, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados nas cidades de São Paulo e Marabá, no sudeste do Pará. Um dos alvos foi a Academia da Polícia Civil, no bairro do Butantã, Zona Oeste da capital paulista, onde a delegada mantinha um armário funcional.
De acordo com o Ministério Público, a delegada teria atuado de forma irregular poucos dias após assumir o cargo. Em 28 de dezembro do ano passado, apenas nove dias depois de tomar posse, ela participou da defesa jurídica de um dos quatro integrantes do PCC presos em flagrante pela Polícia Militar em Rondon do Pará. A atuação ocorreu quando ela já exercia oficialmente a função de delegada, o que é vedado pela legislação.
A conduta viola tanto o Estatuto da Advocacia quanto normas estaduais que proíbem delegados de polícia de exercer advocacia privada. Para os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o episódio não foi isolado, mas parte de um esquema mais amplo de cooptação da agente pública pela facção criminosa.
A apuração aponta que, no exercício do cargo, a delegada teria acesso privilegiado a inquéritos policiais e a bancos de dados sigilosos, informações que poderiam ser utilizadas para beneficiar integrantes do PCC. As suspeitas incluem o uso do posto funcional para facilitar interesses da organização criminosa e ocultar a origem de recursos ilícitos.
O Ministério Público segue analisando documentos, aparelhos eletrônicos e movimentações financeiras apreendidas durante a operação para identificar a extensão da atuação do casal e possíveis outros envolvidos dentro e fora das instituições públicas




