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Delegado da PF ligado à inteligência do governo Bolsonaro vira assessor de André Mendonça no STF em meio ao Caso Master

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Thiago Marcantonio Ferreira ocupou cargos estratégicos na Polícia Federal e no Ministério da Justiça antes de assumir função no gabinete do ministro do Supremo

Fontes da própria Polícia Federal afirmam que o delegado é identificado internamente como um quadro formado no ambiente institucional associado às investigações da Operação Lava Jato. Foto Fabio Rodrigues Pozzebom/Agencia Brasil

O delegado da Polícia Federal Thiago Marcantonio Ferreira passou a integrar o gabinete do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal em outubro de 2025, após ser nomeado para o cargo em comissão de assessor de ministro, nível CJ-3. A designação foi formalizada pela Portaria nº 220, publicada em 24 de outubro daquele ano.

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A nomeação ganhou atenção em meio à relatoria de Mendonça no chamado Caso Master, investigação que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro e que passou ao gabinete do ministro após redistribuição antes conduzida por Dias Toffoli.

Passagem por áreas estratégicas da Polícia Federal

Antes de chegar ao Supremo, Marcantonio construiu carreira em diferentes setores da Polícia Federal ligados a investigações e inteligência. Em 2018, ele foi nomeado chefe da Divisão de Assuntos Sociais e Políticos da corporação.

No ano seguinte, em 1º de março de 2019, passou a atuar como substituto eventual do coordenador-geral de Polícia Fazendária da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado. Ainda em dezembro de 2019, voltou a aparecer em portarias internas como chefe da Divisão de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e o Patrimônio Histórico.

Registros institucionais indicam que o delegado também teve passagem pela Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e pela Coordenação-Geral de Polícia Fazendária, áreas consideradas sensíveis dentro da estrutura da corporação.

Chegada ao Ministério da Justiça

A trajetória do delegado se aproximou do núcleo político do governo federal em 2020, quando ele passou a atuar na assessoria especial do então ministro da Justiça. Registros de agendas oficiais daquele período mostram seu nome ligado ao gabinete da pasta em julho de 2020.

Pouco tempo depois, em 5 de agosto de 2020, Mendonça assinou a Portaria nº 439 nomeando Marcantonio para a Diretoria de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas, conhecida como Seopi.

A nomeação ocorreu durante a crise envolvendo o chamado “dossiê antifascista”, episódio que levou o Supremo a analisar a atuação do Ministério da Justiça na produção e compartilhamento de informações sobre cidadãos e servidores públicos. Em 2022, o STF considerou inconstitucionais atos relacionados a esse monitoramento no julgamento da ADPF 722.

Projeto de extração de dados de celulares

Documentos administrativos do Ministério da Justiça também mostram a participação do delegado em projetos ligados à área de inteligência digital. Em um processo de inexigibilidade de licitação de 2021, Marcantonio aparece como responsável pela solicitação de atualização de licenças de softwares voltados à extração de dados de dispositivos móveis.

O documento menciona o chamado “Projeto Excel”, iniciativa voltada à estruturação de laboratório especializado em coleta, análise e cruzamento de informações extraídas de celulares apreendidos em investigações.

Esse tipo de estrutura tecnológica costuma ser utilizado em apurações de grande complexidade, permitindo recuperar mensagens, arquivos e registros digitais que auxiliam investigações policiais.

Mudança na Seopi e contexto político

Marcantonio deixou a Diretoria de Inteligência da Seopi em maio de 2021. Posteriormente, o comando da área foi assumido por Marília Ferreira de Alencar, que viria a ser investigada e posteriormente condenada pelo STF em processos relacionados à trama golpista após as eleições.

A sucessão administrativa ocorreu em um período de forte debate público sobre o papel da Seopi e sobre o uso de estruturas de inteligência do governo federal.

Chegada ao gabinete no Supremo

A nomeação de Marcantonio para o gabinete de André Mendonça em 2025 consolidou sua passagem por três esferas institucionais: Polícia Federal, Ministério da Justiça e Supremo Tribunal Federal.

Fontes da própria Polícia Federal afirmam que o delegado é identificado internamente como um quadro formado no ambiente institucional associado às investigações da Operação Lava Jato. Os registros oficiais não utilizam essa classificação, mas mostram que sua carreira passou por áreas estratégicas de investigação e inteligência do Estado brasileiro.

Com a chegada ao gabinete de Mendonça, Marcantonio passou a integrar a estrutura direta de apoio ao ministro responsável pela análise de processos sensíveis no Supremo, incluindo investigações que envolvem setores do sistema financeiro e decisões relacionadas ao compartilhamento de dados com comissões parlamentares.

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