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Setor industrial tem tombo de 2,8%, em 12 meses, mostra pesquisa

Segundo o analista, o resultado reflete dificuldades conjunturais que o setor vem enfrentando, como o aumento dos custos de produção e a restrição de acesso a insumos e componentes para a produção do bem final. Foto José Paulo Lacerda/CNI

 

 

O manifesto pela democracia articulado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) revela rachaduras no apoio do setor a Jair Bolsonaro. Relegada a segundo plano pelo ministro Paulo Guedes, a indústria até hoje não recuperou o patamar de antes da pandemia. É o que mostra a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada nesta terça-feira (2).

Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) continuam apontando para um quadro de estagnação do setor. Na passagem de maio para junho, a produção industrial recuou 0,4%, após quatro meses de pífios resultados positivos. A última queda da indústria havia sido registrada em janeiro deste ano (-1,9%). Com isso, no primeiro semestre, o setor acumula queda de 2,2%. Em 12 meses, o tombo é de 2,8%.

“A indústria não havia recuperado a perda de janeiro (-1,9%) mesmo com os quatro meses de crescimento em sequência, período em que houve alta acumulada de 1,8%”, explica o gerente da pesquisa, André Macedo. “Com o resultado de junho, há uma acentuação do saldo negativo no ano (-0,5%) quando comparado com o patamar de dezembro de 2021.”

Segundo o analista, o resultado reflete dificuldades conjunturais que o setor vem enfrentando, como o aumento dos custos de produção e a restrição de acesso a insumos e componentes para a produção do bem final. “Nesse sentido, o comportamento da atividade industrial tem sido marcado por paralisações das plantas industriais, reduções de jornada de trabalho e concessão de férias coletivas”, conclui.

“Estou certo de que seremos capazes de fazer com que a pesquisa científica, a inovação e a educação sejam revalorizadas como alavancas para o crescimento econômico, a reindustrialização do país e a redução da pobreza, buscando uma economia ambientalmente sustentável e solidária”, disse Lula na 74ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade de Brasília (UnB)

Pelo lado da demanda, ressalta Macedo, há uma infinidade de fatores com impacto negativo para a indústria. “Há a taxa de juros elevada, a inflação que segue em patamares altos, a diminuição da renda das famílias e – ainda que a taxa de desocupação venha caindo nos últimos meses – há um contingente de aproximadamente 10 milhões de desempregados no país”, enumera o gerente da pesquisa.

“A característica dos postos de trabalho que estão sendo criados aponta para uma precarização do mercado de trabalho, e isso é refletido na massa de rendimento, que não está crescendo”, prossegue o analista. “Todos esses aspectos são fatos importantes na nossa análise e ajudam a explicar esse saldo negativo do setor industrial”, completa Macedo.

 

Produção industrial está 18% abaixo do nível recorde, alcançado sob Dilma

Com o resultado de junho, a indústria se encontra 1,5% abaixo do patamar pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020. Também está 18,0% abaixo do nível recorde, alcançado em maio de 2011, primeiro ano de mandato de Dilma Rousseff.

A variação negativa em comparação a maio foi disseminada pela maioria das atividades econômicas investigadas. A maior influência veio do setor de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-14,1%), que havia acumulado alta de 5,3% nos dois meses anteriores. Outro impacto importante veio do segmento de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,3%), que também se expandiu em abril e maio (5,0%).

Contribuíram ainda para o resultado negativo do setor as atividades de máquinas e equipamentos (-2,0%), de metalurgia (-1,8%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-2,8%) e de outros equipamentos de transporte (-5,5%).

Nove atividades se expandiram na comparação com o mês anterior. As que mais influenciaram o resultado geral, no campo positivo, foram as de produção de veículos automotores, reboques e carrocerias (6,1%) e de indústrias extrativas (1,9%). “O setor de veículos acentuou o crescimento de maio (3,8%), mas essa alta não eliminou as perdas anteriores. O saldo dessa atividade ainda é negativo, uma vez que ela ainda está 8,5% abaixo do patamar pré-pandemia”, afirma o gerente da pesquisa.

Três das quatro grandes categorias econômicas recuaram frente a maio. A maior queda foi registrada pelo setor produtor de bens de capital (-1,5%), após avançar 7,5% no mês anterior. O setor de bens intermediários (-0,8%) recuou pelo segundo mês seguido, acumulando perda de 2,3%. Já os bens de consumo semi e não duráveis (-0,7%) interromperam dois meses de alta (2,8%). O único avanço em junho foi do segmento de bens de consumo duráveis (6,4%), que intensificou a expansão do mês anterior (4,1%).

Na comparação com maio de 2021, o recuo da indústria foi de 0,5%, com disseminação de resultados negativos em 14 dos 26 ramos investigados. As indústrias extrativas (-5,4%) exerceram a principal influência negativa, pressionadas pela queda na fabricação de óleos brutos de petróleo e minérios de ferro. Também impactaram o índice as atividades de metalurgia (-8,3%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-19,6%).

 

Sem investimento público, não há produção

Os últimos dez anos têm sido de encolhimento gradual do setor industrial. A desindustrialização se acelerou nos últimos sete anos, agravando-se ainda mais desde que Bolsonaro e Guedes abandonaram os setores da economia produtiva para privilegiar o capital financeiro. Financeirização e desmonte do parque industrial fecharam as portas de milhares de fábricas e desempregaram um milhão de trabalhadores nos últimos dez anos.

Desde 2011 até 2020, a indústria perdeu 9.579 empresas, ou 3,1% do total, aponta a Pesquisa Industrial Anual (PIA): Empresa e Produto 2020, do IBGE. Apenas entre o primeiro e o segundo ano de Bolsonaro (2019/2020), 2.865 empresas encerraram as atividades enquanto Guedes cortejava seus pares do mercado financeiro.

O setor industrial, que nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e do PT chegou a corresponder a 23,1% do PIB brasileiro, experimentando uma onda de expansão, hoje equivale a 18,9%. A indústria automobilística, que em 2011 tinha 11,6% de participação na receita líquida industrial, em 2020 ocupou apenas 7,1%.

Essa política de terra arrasada ameaça levar o país ao período anterior à chegada de Lula ao poder. Após 20 anos sem uma política industrial para o país, foi ele quem recolocou o tema em pauta ao anunciar, em 2004, a Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE). Hoje, Lula volta a destacar a importância dos investimentos públicos para reativar a depauperada economia que restará como legado do bolsonarismo.

“Para se transformar em um país industrial, é preciso que você faça investimento em ciência e tecnologia, é preciso que você faça mais universidades, mais escolas técnicas”, apontou Lula em entrevista concedida em abril para a Rádio Conexão 98 de Palmas (TO). “Não existe política de desenvolvimento do Bolsonaro. O que existe é uma política de venda daquilo que foi construído ao longo de tantos e tantos anos porque não tem política de desenvolvimento, não tem projeto industrial.”

Na última quinta-feira (28), Lula reafirmou o compromisso com a ciência e a tecnologia como fatores de desenvolvimento e prosperidade. “Estou certo de que seremos capazes de fazer com que a pesquisa científica, a inovação e a educação sejam revalorizadas como alavancas para o crescimento econômico, a reindustrialização do país e a redução da pobreza, buscando uma economia ambientalmente sustentável e solidária”, disse Lula na 74ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade de Brasília (UnB).

Da Redação, com informações de Agência IBGE e Instituto Lula

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