Investigação da Polícia Civil avança sobre ex-dirigente, familiares do presidente e movimentações financeiras às vésperas da votação do impeachment
A poucos dias da votação que pode definir o impeachment do presidente do São Paulo Futebol Clube, Júlio Casares, a investigação que envolve a atual gestão ganhou novos contornos e ampliou o alcance das suspeitas. A Polícia Civil apura a atuação de Nelson Marques Ferreira, ex-diretor adjunto de futebol do clube, suspeito de ter aberto 15 empresas entre 2021 e 2025, período em que ocupava cargo estratégico na administração tricolor.
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O inquérito foi instaurado após o envio de uma denúncia anônima que aponta a existência de um possível esquema de desvio de recursos do clube por meio de empresas prestadoras de serviços e agências ligadas ao mercado de jogadores. Segundo a apuração, o esquema teria sido utilizado para viabilizar a abertura de franquias e lojas em shopping centers, com eventual uso de recursos de origem questionada. Além de Nelson Marques Ferreira, integrantes da família Casares também aparecem no radar da investigação.

De acordo com a linha investigativa, o nome do ex-dirigente surgiu a partir da descrição de um gestor que teria participado da abertura de múltiplas empresas a partir de 2021, ano que coincide com o início do mandato de Júlio Casares na presidência do São Paulo. Logo após assumir o cargo, Casares nomeou Nelson Marques Ferreira como diretor adjunto de futebol, função exercida até o fim de 2024. Para a Polícia Civil, o clube figura, ao menos até o momento, como vítima das eventuais práticas ilegais.
Dados financeiros analisados no âmbito da investigação apontam movimentações expressivas entre 2021 e 2025. Foram identificados 35 saques que totalizam R$ 11 milhões, valor que já havia sido citado publicamente por Casares em manifestações recentes. Os relatórios indicam que as transações ocorreram ao longo de 29 meses e apresentam padrão considerado atípico, descrito pelos investigadores como estrutural e não pontual.
A apuração também traça paralelos com outros casos recentes no futebol paulista, ao identificar semelhanças entre o modelo descrito na denúncia envolvendo o São Paulo e investigações conduzidas em outro grande clube da capital. Para os investigadores, há indícios iniciais classificados como consistentes e dotados de credibilidade suficiente para aprofundamento das diligências.
A defesa de Júlio Casares nega qualquer irregularidade. Segundo o presidente, os valores movimentados correspondem a despesas cotidianas do clube, como pagamentos em espécie relacionados à arbitragem e a prêmios de atletas. A defesa sustenta ainda que não há vínculo entre as contas pessoais do dirigente e recursos desviados do São Paulo, argumentando que depósitos realizados teriam origem em rendimentos acumulados ao longo de sua carreira fora do clube.
Toda a documentação reunida foi encaminhada ao Conselho Deliberativo e integra a defesa apresentada por Casares no processo que será analisado na próxima sexta-feira. A votação ocorre em um ambiente de forte tensão política interna, com conselheiros divididos entre a continuidade da gestão e o afastamento do presidente.
A votação do impeachment ocorre em meio a uma investigação criminal em curso, o que amplia o impacto institucional para além da esfera esportiva. Em jogo estão a governança do clube, a credibilidade da atual diretoria e a forma como o São Paulo lida com movimentações financeiras de grande volume. Nos bastidores, conselheiros questionam a transparência dos pagamentos em espécie, a relação entre dirigentes e empresas privadas e os riscos jurídicos e patrimoniais para a instituição caso as suspeitas avancem.




