Pesquisa aponta que maioria da população vê crise institucional no caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e família Bolsonaro

O escândalo envolvendo o Banco Master e a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro já entrou no radar do eleitorado e pode influenciar a disputa eleitoral deste ano. Levantamento divulgado nesta quinta-feira (12) pela Quaest mostra que 67% dos entrevistados afirmam que o caso pode impactar a escolha de candidatos nas eleições de outubro.
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Segundo o estudo, 65% dos entrevistados disseram ter conhecimento da prisão de Vorcaro. Para 40% dos participantes da pesquisa, o chamado “escândalo do Banco Master” afeta de forma generalizada instituições e atores políticos, incluindo o Supremo Tribunal Federal, o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro [PL], a atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva [PT], o Banco Central do Brasil e o Congresso Nacional do Brasil.
Percepções variam conforme posição política
A pesquisa mostra diferenças significativas de percepção conforme o posicionamento político dos entrevistados. Entre os que identificam maior impacto negativo em um único ator institucional, 11% apontam o governo Bolsonaro como o mais afetado pelo escândalo, enquanto 10% citam o governo Lula.
Outros 13% dizem que o caso atinge mais diretamente o Supremo Tribunal Federal. Na sequência aparecem o Banco Central, mencionado por 5% dos entrevistados, e o Congresso Nacional, citado por 3%.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, afirma que as avaliações refletem a polarização política do país. “Mas há diferenças nessa percepção. O eleitorado lulista e de esquerda enxerga efeito mais negativo para o governo Bolsonaro. O eleitorado bolsonarista e de direita vê mais efeitos negativos para o Supremo e o governo Lula. Mas os independentes, que moderam o debate, afirmam com convicção que o sistema inteiro sofre com o escândalo”, afirmou.
Entre os eleitores que se definem como independentes — grupo considerado estratégico na disputa eleitoral — a percepção predominante é de que o caso afeta mais o governo Lula (9%) do que a gestão Bolsonaro (4%).
Crise institucional e efeito nas urnas
O levantamento também aponta que o caso envolvendo o Banco Master pode gerar efeito direto nas urnas. Segundo os dados, 38% afirmaram que pretendem evitar votar em qualquer candidato que esteja associado ao escândalo. Outros 29% disseram que levarão o episódio em consideração no momento de escolher seus representantes.
Entre os eleitores bolsonaristas, o percentual de rejeição a candidatos ligados ao caso chega a 49%. Já entre eleitores identificados com a direita, o índice é de 42%. No grupo de independentes, 36% afirmaram que deixariam de votar em candidatos envolvidos com o escândalo.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 120 municípios brasileiros entre os dias 6 e 9 de março. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O estudo foi encomendado pela Genial Investimentos e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-5809/2026.
Nos bastidores de Brasília, o avanço das investigações relacionadas ao Banco Master é acompanhado com atenção por lideranças políticas e operadores do mercado financeiro, que avaliam o potencial do caso de ampliar o desgaste institucional em um cenário eleitoral já marcado por forte polarização.




