Detenção ocorreu em propriedade da família real e amplia investigações sobre troca de informações sensíveis e possível abuso de função pública
O ex-integrante da família real britânica Andrew Mountbatten-Windsor foi detido na manhã desta quinta-feira (19) em Wood Farm, na propriedade de Sandringham, em Norfolk, na Inglaterra, sob suspeita de má conduta no exercício de função pública. A prisão foi confirmada pela Thames Valley Police, que informou ter cumprido mandados também em endereços nos condados de Berkshire e Norfolk.
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Segundo a corporação, um homem na faixa dos 60 anos, residente em Norfolk, permanece sob custódia. A investigação formal foi aberta após análise detalhada de denúncias de que Andrew teria compartilhado informações sensíveis com o financista norte-americano Jeffrey Epstein durante o período em que atuava como enviado comercial do Reino Unido.

As apurações incluem alegações de que uma mulher teria sido levada ao Reino Unido por Epstein para um encontro com o então Duque de York. Também são examinados relatos de eventual troca de dados confidenciais enquanto ele exercia funções oficiais. O subchefe da polícia, Oliver Wright, declarou que a abertura do inquérito considerou o elevado interesse público e que novas informações serão divulgadas no momento oportuno.
Em entrevista à BBC antes da confirmação da prisão, o primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que decisões sobre eventual comparecimento voluntário às autoridades cabem à polícia. Ressaltou ainda que o princípio central do sistema britânico estabelece que todos são iguais perante a lei.
A Metropolitan Police iniciou averiguações preliminares sobre agentes do Comando de Proteção à Realeza que atuaram junto a Andrew. Ao menos oito forças policiais analisam se abrirão procedimentos próprios relacionados às acusações envolvendo Epstein. A Scotland Yard também avalia denúncias feitas por um ex-segurança que relatou possível proximidade excessiva de integrantes da equipe de proteção com o ex-duque.
A investigação inclui consultas ao Crown Prosecution Service, responsável por autorizar acusações criminais. A National Crime Agency atua de forma coordenada com as forças policiais na análise de informações ligadas a possíveis crimes de tráfico humano e agressões sexuais ocorridos nos anos 1990, citados em arquivos associados a Epstein.
Paralelamente, Andrew já havia sido acusado de agressão sexual por Virginia Giuffre, alegações que ele nega. Também vieram a público relatos de que ele teria solicitado a um agente de proteção que investigasse o passado de Giuffre após a divulgação de uma fotografia dos dois publicada em 2011. A Scotland Yard declarou anteriormente que avaliou essas denúncias e não identificou evidências adicionais de crime ou má conduta.




