Operação da PF revela esquema de mais de R$ 500 milhões com infiltração interna, lavagem digital e pressão sobre gestão indicada pelo Centrão

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (25) a Operação Fallax para desarticular uma organização criminosa acusada de fraudes contra a Caixa Econômica Federal que podem ultrapassar R$ 500 milhões. A ofensiva ocorre em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, com mandados expedidos pela Justiça Federal.
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Segundo as investigações, o esquema operava com a cooptação de funcionários da própria instituição e de outras entidades financeiras, que inseriam dados falsos em sistemas internos para viabilizar saques e transferências indevidas. Os valores eram posteriormente lavados por meio de empresas de fachada e convertidos em bens de luxo e criptoativos.
Investigadores apontam que o uso de criptomoedas foi central para ocultar os recursos desviados. Segundo a PF, ferramentas de rastreamento digital permitiram identificar a movimentação financeira, mesmo com uso de carteiras virtuais fora do sistema tradicional.
O caso atinge diretamente a gestão da Caixa Econômica Federal, presidida por Carlos Vieira, indicado ao cargo em 2023 com apoio do deputado Arthur Lira (PP). A nomeação ocorreu dentro de articulação política envolvendo partidos do Centrão.
Nos bastidores, o avanço da investigação amplia o desgaste político sobre a atual gestão do banco, tradicionalmente considerado estratégico nas negociações em Brasília devido ao seu alcance nacional e orçamento bilionário.
Fontes ligadas à apuração indicam que empresas associadas ao Grupo Fictor estariam entre os alvos, embora a lista oficial permaneça sob sigilo. A conexão reforça suspeitas de que o esquema operava com ramificações no setor empresarial e financeiro.
A dimensão da fraude e a participação de servidores levantam questionamentos sobre falhas nos mecanismos de controle interno e compliance da instituição. Até o momento, a Caixa não detalhou publicamente eventuais medidas adotadas após a descoberta das irregularidades.




