21.9 C
Campinas
quinta-feira, março 26, 2026
spot_img

Governo endurece regras do frete e evita nova greve de caminhoneiros

Data:

Medidas do governo protegem valor do frete diante da alta do diesel

O presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos da Baixada Santista e Vale do Ribeira, Luciano Santos, disse que o recuo na paralisação foi motivado pela sinalização do governo Foto Marcelo Camargo/Agencia Brasil

O governo federal publicou nesta quarta-feira (25) a Medida Provisória 1.343/2026 e duas resoluções da Agência Nacional de Transportes Terrestres para obrigar o cumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas, medida que levou caminhoneiros a recuar de uma nova paralisação nacional articulada após reunião da categoria em Santos. As normas entram em vigor imediatamente e ainda dependem de aprovação no Congresso.

<Siga o canal do Jornal Local no WhatsApp

A nova regulamentação estabelece punições progressivas a empresas que pagarem abaixo da tabela e bloqueia a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot) para fretes irregulares — na prática, inviabilizando a circulação de cargas fora das regras. Sem o documento, o transporte passa a ser considerado ilegal.

Nos bastidores, a medida é interpretada como resposta direta à pressão organizada da categoria, que desde a paralisação nacional de 2018 cobra mecanismos mais rígidos de fiscalização. O risco de desabastecimento e impacto econômico imediato teria acelerado a edição da medida provisória, que tem validade inicial de 60 dias e pode perder efeito caso não seja votada pelo Congresso até julho.

Segundo o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, houve ampliação significativa da fiscalização nas estradas, com aumento de operações e uso de inteligência para rastrear irregularidades. “Nós vamos seguir o fluxo do dinheiro e da carga para dar efetividade à fiscalização”, afirmou.

O presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos da Baixada Santista e Vale do Ribeira, Luciano Santos, disse que o recuo na paralisação foi motivado pela sinalização do governo. “O caminhoneiro quer trabalhar, mas precisa de regra sendo cumprida. O piso mínimo garante dignidade na estrada”, declarou.

Já o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que o governo atuará junto ao Congresso para evitar alterações no texto. “Sem os caminhoneiros não chega combustível nem alimento. Vamos manter diálogo para que não haja retrocessos”, disse.

Retranca – Pressão política e interesses em jogo

A edição da MP ocorre em um cenário de forte pressão política e econômica. De um lado, caminhoneiros autônomos exigem previsibilidade de renda em meio à volatilidade do diesel; de outro, embarcadores e setores industriais resistem ao aumento de custos logísticos, que pode ser repassado ao consumidor final.

A exigência do Ciot como condição para circulação amplia o poder de controle estatal sobre o transporte de cargas e pode atingir não apenas o descumprimento do piso, mas também práticas como sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, conforme admitido pela própria ANTT.

Nos corredores de Brasília, a tramitação da medida provisória deve expor disputas entre bancadas ligadas ao agronegócio, indústria e transporte. A depender das emendas, o texto pode ser flexibilizado ou endurecido, abrindo margem para atuação de lobbies e articulações políticas que historicamente influenciam o setor.

O governo aposta na medida como forma de evitar uma nova crise logística nacional, mas o desfecho dependerá da correlação de forças no Congresso e da capacidade de manter a base aliada coesa diante da pressão de diferentes setores econômicos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe esse Artigo:

spot_img

Últimas Notícias

Artigos Relacionados
Relacionados

Advogado ligado a Bolsonaro assume defesa em caso Master e articula delação

Com Celso Vilardi à frente da defesa de Zettel...

STF corta auxílios e impõe limite a salários de juízes e promotores

Corte proíbe benefícios sem base em lei federal,...

Escassez de diesel atinge 166 cidades no RS e acende alerta de desabastecimento

Dificuldade de abastecimento é reflexo da guerra no Irã Pelo...
Jornal Local
Política de Privacidade

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) já está em vigor no Brasil. Além de definir regras e deveres para quem usa dados pessoais, a LGPD também provê novos direitos para você, titular de dados pessoais.

O Blog Jornalocal tem o compromisso com a transparência, a privacidade e a segurança dos dados de seus clientes durante todo o processo de interação com nosso site.

Os dados cadastrais dos clientes não são divulgados para terceiros, exceto quando necessários para o processo de entrega, para cobrança ou participação em promoções solicitadas pelos clientes. Seus dados pessoais são peça fundamental para que o pedido chegue em segurança na sua casa, de acordo com o prazo de entrega estipulado.

O Blog Jornalocal usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Confira nossa política de privacidade: https://jornalocal.com.br/termos/#privacidade