Presidente da Casa invoca regimento e sinaliza resistência a novas investigações em ano pré-eleitoral
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que não pretende autorizar, neste momento, a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o Banco Master, ao afirmar que seguirá rigorosamente a ordem cronológica dos requerimentos já protocolados. A decisão empurra o pedido para o fim da fila e, na prática, inviabiliza a abertura imediata da CPI, mesmo diante da pressão de parlamentares que defendem o avanço da investigação.
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O requerimento para criação da CPI foi apresentado na semana passada e aparece como o último entre 16 pedidos pendentes de análise. Ao tratar do tema publicamente, Motta deixou claro que não pretende acelerar a tramitação nem fazer exceções, afirmando que a Câmara precisa respeitar o regimento interno e a sequência formal das solicitações. O posicionamento reduz drasticamente as chances de a comissão sair do papel no curto prazo.

Cálculo político e contenção de desgaste no comando da Câmara
Além de se apoiar na ordem cronológica, o presidente da Câmara resgatou um precedente recente ao lembrar que, no ano anterior, optou por não instalar nenhuma CPI. A menção funciona como um recado político direto: a direção da Casa não demonstra disposição para abrir novas frentes de conflito institucional, especialmente em um ambiente marcado por articulações eleitorais e disputas internas por espaço e protagonismo.
Nos bastidores, a leitura predominante é de que a condução do tema vai além do rito formal e envolve avaliação política sobre custo e oportunidade. CPIs costumam gerar exposição pública, tensionar relações entre bancadas e impactar alianças em construção, sobretudo quando atingem instituições financeiras com conexões políticas e empresariais relevantes.
A sinalização de Motta ocorre em um contexto em que parte do Congresso busca reduzir pautas potencialmente explosivas e manter sob controle a agenda legislativa. Ao empurrar o pedido da CPI do Banco Master para o fim da fila, o comando da Câmara preserva margem de manobra e evita um embate que poderia desorganizar negociações em curso e ampliar disputas internas.
Se não houver mudança no cenário político ou pressão suficiente para romper a lógica atual, a tendência é que o pedido permaneça paralisado, reforçando a avaliação de que, no Parlamento, a instalação de CPIs depende menos da gravidade do tema e mais do ambiente político e da vontade da cúpula da Casa.




