Perícia descarta hospitalização, mas confirma risco de morte e queda, mantendo ex-presidente sob vigilância rigorosa em batalhão militar
A perícia médica realizada pela Polícia Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) possui condições clínicas para permanecer detido no 4º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, desde que receba acompanhamento médico rigoroso. O resultado, divulgado nesta segunda-feira (9), caiu como um balde de água fria sobre a estratégia da defesa, que apostava no laudo para fundamentar um pedido de prisão domiciliar humanitária após o ex-presidente perder o benefício em novembro ao tentar violar sua tornozeleira eletrônica.
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Embora o documento descarte a necessidade de transferência para um hospital penitenciário, os peritos confirmaram que o quadro de saúde de Bolsonaro exige monitoramento diário de pressão arterial e assistência médica imediata. O laudo aponta que o ex-presidente sofre de doenças crônicas controladas, mas destaca um “risco concreto de morte” e de novas quedas devido a sintomas neurológicos que ainda demandam investigação diagnóstica. Em janeiro, Bolsonaro já havia sofrido um acidente doméstico na cela, batendo a cabeça, o que motivou sua transferência para uma acomodação mais ampla dentro da unidade prisional.

Nos bastidores políticos, aliados de Bolsonaro em Brasília avaliam o documento com pessimismo, mas mantêm a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF). O argumento central de interlocutores e dos filhos do ex-presidente, Eduardo e Carlos Bolsonaro, é que manter a detenção na Papuda representa um risco institucional para o STF, já que qualquer agravamento súbito na saúde de Bolsonaro poderia gerar um ônus político insustentável para a Corte. A defesa sustenta que a perícia ainda não está concluída, aguardando o parecer de um assistente técnico, e reafirma que a estrutura carcerária atual pode levar a uma “descompensação clínica súbita”.
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, abriu prazo para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a defesa se manifestem sobre o conteúdo do laudo. A expectativa de aliados é que a PGR possa dar um parecer favorável à prisão domiciliar, seguindo o precedente aberto por Moraes no caso do ex-presidente Fernando Collor, que obteve o benefício por razões humanitárias relacionadas à saúde. Por enquanto, Bolsonaro permanece sob custódia militar, aguardando a decisão final de Moraes sobre se o risco de morte apontado pelos médicos é suficiente para autorizar seu retorno ao Palácio da Alvorada ou à sua residência particular.




