A diversidade cultural, característica bem presente na nação brasileira, foi o destaque na 27ª edição da cerimônia de Lavagem da Escadaria da Catedral Metropolitana de Campinas, promovida neste sábado de Aleluia, 07 de abril. “A celebração representa a importância de se manter um diálogo de fé com a liberdade religiosa. Só assim podemos conquistar a paz e a convivência pacífica, destacou a Mãe Dango, que criou o ritual, juntamente com a Mãe Corajacy.
A programação foi das 9h às 17h e reuniu cerca de 200 integrantes de grupos de candomblé e de umbanda de Campinas e cidades da região. A Administração Municipal apoiou a celebração por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Guarda Municipal, Samu, Sanasa e Emdec.
Segundo a integrante da equipe que organizou o ato, Liliana Souza Gomes, o evento tem o objetivo de conscientizar o público que todas as religiões podem expressar livremente o seu ritual de fé. “Isso é fundamental porque o Brasil é um dos países de maior sincretismo religioso”, observou. Conforme Liliana, além de divulgar a religião e a cultura afrodescendente, o ritual também é uma forma de resgatar as origens dessa manifestação. “Estamos relembrando a atuação dos grupos pioneiros de candomblé e umbanda”, comentou.
Concentração
A programação teve início na Estação Cultura, situada na Praça Floriano Peixoto, na área central, onde os participantes se concentraram. Em seguida, trajando roupas brancas, desceram em procissão pela Rua 13 de Maio até chegar à Catedral, local da cerimônia.
Nesse momento, o público presente era grande e se misturou com comerciantes, vendedores das lojas das proximidades e consumidores que paravam para acompanhar o ato. “É uma cerimônia linda que prega a igualdade racial e a alegria de viver”, disse entusiasmada a estudante Claudete dos Santos.
Ritual
Por volta das 12h teve início a fase de preparação da lavagem da escadaria. Ao formar uma roda e circular na área em frente da Catedral Metropolitana, os integrantes cantavam várias vezes a cantiga: “Quando eu cheguei aqui nessa cidade, eu avistei a torre da igreja. Aí que beleza! Cheguei agora. Nossa Senhora seja a nossa guia”.
Enquanto isso, outros integrantes dos grupos enchiam os vasos de cerâmica, contendo ramalhete de crisântemos brancos, com água misturada com essência de alfazema. Foram utilizados aproximadamente 200 litros de água e cerca de 250 maços da flor. Em seguida, começaram os preparativos para a lavagem da escadaria.
Cada integrante pegou um vaso e despejou a chamada “água de cheiro” para a lavagem da escadaria. Logo o ambiente ficou todo perfumado. Em seguida, os crisântemos foram entregues ao público. “Essa cerimônia causa muita emoção por divulgar a liberdade religiosa de maneira criativa”, disse a dona de casa Paula Castro.
A lavagem da escadaria, segundo os organizadores, reafirma ainda a resistência dos povos negros vindos de todas as partes do território africano, com seu rico legado cultural e religioso. E também representa a purificação e a captação de boas energias. Com a lavagem deixa-se a tristeza de lado para marcar um recomeço.
Shows
Assim que terminou a cerimônia, começara os shows de música e danças. Mais de 30 grupos ligados às atividades religiosas e culturais afrodescendentes – entre eles Grupo Savuru Teatro e Dança, Casa de Cultura Tainá, Comunidade Jongo Dito Ribeiro, Urucungos, Puitas e Quijengues, Bateria Alcalina, Dança e Percussão do Ilê Omonibu Axé Beje-ero, Ponto de Cutura Ibaô, e Grupo Afro Ubasa Ilú Menino Levado – deram sequência na programação. Houve uma riqueza de mensagens e ritmos, deixando o espaço mais alegre e cheio de emoção, fazendo o público aplaudir bastante as apresentações.




