Uma velha lona plástica de cor alaranjada amarrada a pneus para evitar que goteiras tomem conta do interior do prédio mostram a quem passa pelas proximidades do Centro de Saúde (CS) de Sousas o retrato do descaso do Poder público municipal para com o contribuinte, em especial os de menor renda. As condições do prédio que abriga o CS são precárias; telhado em péssimas condições e falta de pintura são alguns dos problemas.
Não bastasse isso, a unidade de saúde padece também da constante falta de medicamentos em sua farmácia e de macas e leitos para atender com mais conforto os usuários que, em caso de necessitar de observação ou esteja recebendo soro têm, muitas vezes, de ser acomodados em cadeiras. Tudo contrastando com o atendimento que, segundo usuários da unidade, é muito bom porque conta com servidores atenciosos e dedicados.
As péssimas condições da unidade não são novidade para a Secretaria Municipal de Saúde e, para solucioná-las, a Prefeitura já conta inclusive com verba de R$ 500 mil resultante de uma emenda parlamentar. Mas a lentidão e a burocracia têm impedido a concretização da reforma. Em maio o Jornal Local foi informado pela Assessoria de Imprensa da secretaria de Saúde que a reforma da unidade estava em processo de licitação previsto para ser concluído em 90 dias.
Três meses depois, a informação, também burocrática, da Assessoria foi: “ O departamento Administrativo da Secretaria de Saúde de Campinas informa que está em análise, no setor de Infraestrutura da Prefeitura, o projeto para a reforma do Centro de Saúde de Sousas. Dentro das obras, está prevista a reforma do telhado”.
Já a secretaria de Infraestrutura, também por meio da Assessoria de Imprensa, informou que está concluindo o projeto para abertura de licitação pública e que estes procedimentos todos deverão ser concluídos no prazo de 90 dias para, assim, dar início às obras. Ou seja, a reforma que deveria ter sido iniciada em agosto, de acordo com a primeira previsão, dificilmente ocorrerá ainda neste ano.
Sobre a cobertura com lona plástica, a Secretaria de Saúde informou, após a ligação feita pelo Jornal Local, que seu setor de manutenção tinha enviado “uma equipe ao local para avaliar uma forma mais adequada de solucionar o problema da infiltração”, o que não havia, de fato, ocorrido quatro dias após o contato.
“É lamentável o estado de conservação do nosso centro de saúde. Não é por atender a população mais pobre que precisa estar nestas condições tão ruins. Somos pobres sim, mas também pagamos impostos”, lamenta Maria de Fátima Aquino, moradora no Jardim Conceição.
Ela diz, no entanto, que o atendimento e a atenção dispensada aos usuários por parte de médicos, enfermeiros e demais profissionais da unidade de saúde são muito bons. “Muito atenciosos. Atendem muito bem e com carinho a todos. A eles só temos de agradecer”, diz, acrescentando que “infelizmente não pode dizer o mesmo das autoridades do município, que devem ter plano de saúde e, por isso, não se preocupam com as condições às quais têm de submeter os que não tiveram a mesma sorte”.





