Telefonema antecipou visita oficial e debate sobre comércio, Mercosul e Venezuela
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta quinta-feira, 15, um telefonema do presidente do Panamá, José Raúl Mulino, para tratar dos preparativos da visita oficial que Lula fará ao país no fim de janeiro. O presidente brasileiro participará, no dia 28, da abertura do Foro Econômico Internacional da América Latina e Caribe, evento organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe, e terá reunião bilateral com Mulino.
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A visita ao Panamá ocorre em um momento estratégico da política externa brasileira, com o governo Lula buscando ampliar pontes econômicas e políticas na América Latina e no Caribe. Durante a passagem pelo país, além do fórum internacional, está prevista uma reunião bilateral para discutir temas ligados ao comércio, investimentos e cooperação entre os dois governos. O Panamá integra o grupo de países associados ao Mercosul, bloco que reúne Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, e tem sido visto como ponto relevante de articulação logística e financeira na região.

No telefonema, Lula e Mulino também trocaram impressões sobre a situação política e institucional da Venezuela. Segundo o relato oficial, os dois presidentes convergiram na avaliação sobre a necessidade de preservação da paz e da estabilidade regional, tema que tem mobilizado lideranças latino-americanas diante do prolongamento da crise venezuelana e de seus impactos migratórios e econômicos.
A conversa incluiu ainda alinhamento em torno do fortalecimento das Nações Unidas e da defesa do direito internacional e do diálogo como instrumentos centrais para a resolução de conflitos. A posição reforça o esforço do governo brasileiro em retomar protagonismo diplomático multilateral, após anos de afastamento de fóruns regionais e internacionais.
A agenda no Panamá é vista por diplomatas como parte de uma estratégia mais ampla do Planalto para reposicionar o Brasil como articulador político e econômico na América Latina. Nos bastidores, a participação no foro organizado pela CAF é interpretada como uma tentativa de atrair investimentos e ampliar a influência brasileira em debates sobre financiamento ao desenvolvimento regional. O diálogo direto com Mulino também ocorre em meio a movimentações discretas de países associados ao Mercosul interessados em ampliar acordos comerciais e reduzir barreiras, enquanto a crise venezuelana segue como ponto sensível nas conversas reservadas entre chefes de Estado.




