Presidente defende multilateralismo, alfineta gestão anterior e anuncia medidas ambientais no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o aumento das tensões geopolíticas e cobrou maior atuação internacional durante discurso na COP-15 sobre Espécies Migratórias, realizada neste domingo (22), em Campo Grande.
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Sem citar diretamente países, Lula fez referência ao cenário de conflitos no Oriente Médio e criticou ações unilaterais no cenário global. “Esta COP-15 ocorre em um momento de grandes tensões geopolíticas. Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando a regra”, afirmou. O presidente também disse que o Conselho de Segurança da ONU tem sido “omisso” na mediação de conflitos.
Ao defender o fortalecimento do multilateralismo, Lula afirmou que o mundo precisa substituir “muros e discursos de ódio” por cooperação internacional. “Um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima”, declarou.
No campo político interno, o presidente fez críticas indiretas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, associando o período a danos na imagem ambiental do país. Segundo Lula, houve melhora nos indicadores desde 2023, com redução do desmatamento na Amazônia, queda no Cerrado e diminuição significativa das queimadas no Pantanal.
Durante o evento, o governo federal anunciou novas medidas ambientais, incluindo a criação de uma unidade de conservação em Minas Gerais com cerca de 41 mil hectares, a ampliação do Parque Nacional do Pantanal e a expansão da Estação Ecológica de Taiamã.
Lula também defendeu a aprovação do Acordo de Escazú pelo Senado e afirmou esperar avanços na criação de um santuário de baleias no Atlântico Sul e de uma área marinha protegida na Antártica.
A fala ocorre em um contexto internacional marcado por conflitos e disputas estratégicas, e é interpretada como parte do reposicionamento do Brasil em fóruns globais. Nos bastidores, a retórica do presidente também dialoga com interesses diplomáticos e comerciais, além de reforçar sua atuação como liderança em temas ambientais — pauta que pode influenciar diretamente negociações multilaterais e o cenário político internacional.




