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sexta-feira, janeiro 16, 2026
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Lula define sucessão no Ministério da Justiça e 4 nomes são sugeridos ao presidente

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Disputa interna expõe tensão entre ala política e núcleo técnico do governo Lula

A confirmação da saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública, oficializada na quinta-feira (8), abriu uma corrida silenciosa dentro do Palácio do Planalto por uma das pastas mais estratégicas do governo. Em ano pré-eleitoral, com a segurança pública ocupando o centro do debate nacional, a escolha do sucessor passou a mobilizar diferentes correntes do PT, aliados do Centrão e operadores do núcleo duro do governo, em uma disputa que envolve poder político, controle institucional e projeção futura.

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Nos bastidores, o nome do ministro da Educação, Camilo Santana, aparece como favorito de uma ala expressiva do PT. Ex-governador do Ceará por dois mandatos, Camilo construiu sua imagem política associada a políticas duras de enfrentamento à violência, com forte presença das forças de segurança estaduais. A avaliação interna é de que não haveria tempo político nem consenso no Congresso para criar ainda em 2026 uma pasta exclusiva de Segurança Pública, o que reforçaria a necessidade de um ministro com experiência executiva direta no tema.

Nenhum dos nomes cotados se manifestou oficialmente sobre a possibilidade de assumir o cargo. Foto Marcelo Camargo/Agencia Brasil

Apesar da pressão, Camilo tem sinalizado resistência. A interlocutores, reforça o compromisso com a agenda educacional e evita se colocar como postulante. Publicamente, adota discurso de lealdade ao presidente e afirma que a decisão cabe exclusivamente a Lula. A cautela é interpretada por aliados como tentativa de não se desgastar em uma disputa que envolve setores com interesses divergentes dentro do próprio governo.

Paralelamente, o nome do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ganhou força entre ministros que defendem um perfil técnico para o cargo. Andrei é visto como peça-chave na reestruturação da PF após os ataques às instituições democráticas e mantém relação direta com o presidente e com o ministro da Casa Civil. Sua eventual nomeação sinalizaria continuidade institucional e fortalecimento do braço investigativo do Estado, mas enfrenta resistência política por não ter base partidária nem trânsito amplo no Congresso.

Outro nome que circula com intensidade é o de Wellington César Lima e Silva. Ex-ministro da Justiça no governo Dilma Rousseff, ele mantém forte ligação com a ala baiana do PT e com figuras centrais do governo. Após deixar a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, foi alçado à advocacia-geral da Petrobras, cargo estratégico e de alta confiança. Sua possível indicação ao Ministério da Justiça é vista como movimento de recomposição política interna, especialmente para equilibrar forças regionais dentro do partido.

Nos últimos dias, uma alternativa de caráter mais político passou a ser debatida entre ministros palacianos: o senador Rodrigo Pacheco. Ex-presidente do Senado, Pacheco teria no Ministério da Justiça uma plataforma para recompor espaço após ter sido preterido na última indicação ao Supremo Tribunal Federal. A eventual nomeação reforçaria a articulação do governo no Senado em um momento de votações sensíveis e manteria Pacheco no radar para futuras indicações ao STF, em um cenário de continuidade do projeto político de Lula.

A movimentação ocorre em meio a disputas menos visíveis, mas decisivas. O Ministério da Justiça concentra controle sobre Polícia Federal, política penitenciária, inteligência e articulação com estados em temas de segurança. Internamente, há preocupação com o avanço do crime organizado, com a pressão de governadores por mais recursos federais e com a necessidade de apresentar resultados concretos antes do início do calendário eleitoral.

Nenhum dos nomes cotados se manifestou oficialmente sobre a possibilidade de assumir o cargo. O silêncio, porém, é interpretado como sinal de que a decisão final ainda depende de negociações que extrapolam critérios técnicos e passam por acordos políticos, regionais e institucionais.

O que está em jogo
Além da condução da política de segurança pública, o próximo ministro herdará o comando da Polícia Federal, a interlocução com o Judiciário em pautas sensíveis e a coordenação de ações contra o crime organizado. A escolha também terá impacto direto na relação do Planalto com o Congresso e no discurso do governo sobre ordem pública às vésperas das eleições municipais e do ciclo eleitoral de 2026.

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